O mito é o nada que é tudo.

O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

Este que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo,
E nos criou.


Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade,
E a fecundá-la decorre
Embaixo, a vida, metade
De nada, morre.

Fernando Pessoa

Este poema retoma a figura de Ulisses como o fundador de Lisboa, que antigamente se chamaria Ulissepona. Nos mostra como o mito, por mais que não seja comprovado historicamente, está vivo, presente na realidade de nosso dia-a-dia.
Quem tiver interesse em saber um pouco mais sobre a filosofia na obra de Fernando Pessoa, convidamos para a palestra sobre esse assunto que ocorrerá na Sede Nacional, neste sábado (26/06), às 19h. Mais informações no site http://www.acropole.org.br .
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