A dança? Não é movimento,
súbito gesto musical.
É concentração, num momento
da humana graça natural.

No solo não, no éter pairamos
nele amaríamos ficar.
A dança – não vento nos ramos:
seiva, força, perene estar.

Um estar entre céu e chão,
novo domínio conquistado,
onde busque nossa paixão
libertar-se por todo lado.

Onde a alma possa descrever
suas mais divinas parábolas
sem fugir à forma do ser
por sobre o mistério das fábulas.

Carlos Drummond de Andrade

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