Prece pela poesia

Senhor, concedei-me a Poesia…
Sem ela, as cores se afastam,
E a vida que resta é tão fria…
E o coração já duvida,
E o tempo é convertido em nada,
E a alma se cala, sombria,
E o fio se perde, na espada.

Senhor, concedei-me a calma
Por trás do vibrar da matéria;
Ensinai, Senhor, como a Alma,
Destoa ao pulsar da artéria,
Mas toma, no ar, vosso pulso,
Vê vossas pegadas, no espaço,
estáveis, ainda que etéreas.

Senhor, concedei-me a confiança,
Que alenta os que marcham sem medo;
Que os sonhos nos soprem segredos
e as dores despertem lembranças.
Que as ânsias por perdas ou ganhos,
Estranhos a quem nada espera,
Não expulsem as reais Esperanças.

Senhor, concedei-me a graça
De nada pedir, só a entrega
Do Sonho, que à terra se nega,
Do Amor, que a terra ultrapassa,
Da Alma, que, da vossa, é parte.
Da voz, que espera ser ponte,
À Voz, que se expressa na Arte.

Lúcia Helena
Nova Acrópole – Brasília

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