J.W. Waterhouse

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De mil cores, o pincel escolhe as pardas

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Na paisagem, o rosto de um menino

E lhe retrato as sardas,

 .

Mesmo que seus olhos de cores seja um ninho

 .

Resta-me entender e contentar-me

Com o neutro da paisagem

Pois a cor se esconde

Quando a busco ao longe…

 .

Porquanto as cores dormem quando

A natureza quer passar mensagem.

Em sopro baixo e sem cor aparente,

 .

Sem proeza ou som estridente.

As cortinas de meus olhos, então

Se fecham.

E até os jogos do menino cessam.

Recolho dentro as cores que me restam.

 .

Encontro no âmago o esconderijo

Das cores que ao longe

Não se expressam

 .

Por trás do pano, num só ângulo se mistificam

 .

Ali, as sardas em sorriso se esticam

E da cor parda

Vejo agora paisagem pintalgada.

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Eis que o tom também descansa

E se é puro silêncio o teu canto

E se o horizonte, no outono, não alcança

O mais profundo sono é teu recanto.

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 Mariana Melo – Nova Acrópole – Sede Goiânia

 

A linda Mariana nos brinda uma vez mais com um de seus belos poemas.

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