Nicolas Poussin – Selene and Endymion

h. Hom. 32: A Selene

trad. Wilson A. Ribeiro Jr.

Falai da eterna Lua de longas asas,1 ó Musas

de doce voz, filhas de Zeus Cronida, conhecedoras do canto.

De sua cabeça imortal, uma luz se mostra no céu

e circunda a terra, e vasto é o ornamento que se forma a partir

da luz brilhante. O ar escuro resplandece devido à

sua coroa de ouro, e seus raios brilham no céu

sempre que, tendo banhado o belo corpo em Oceano,

a divina Selene se veste com trajes que brilham de longe,

atrela à carruagem radiantes potros de pescoço arqueado

e para a frente, com ímpeto, dirige os cavalos de belas crinas

na noite do meio do mês. Sua grande órbita se completa,

e nesse momento seus raios aumentam e atingem, no céu,

o máximo brilho; ela é, para os mortais, um marco e um sinal.

Com ela, certa vez, o filho de Crono se deitou, unido em amor;

após engravidar, ela deu à luz uma filha, Pandeia, 2

notável entre os deuses imortais pela beleza que possuía.

Salve, senhora, deusa de alvos braços, Selene divina,

bondosa, de belas tranças; tendo começado por ti, cantarei as glórias dos

semideuses mortais cujas façanhas os aedos, servidores

das Musas, celebram com voz agradável.

retirado do livro: Hinos Homéricos – Editora UNESP

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1. Mene é um antigo nome da lua. Este verso é o único lugar em que asas são atribuídas à deusa; segundo Daremberg, trata-se de uma alusão à rapidez de sua evolução no céu, mas pode-se tratar, igualmente, de influências asiáticas ou egípcias. No III milênio a.C., os egípcios representavam às vezes o sol com asas; esse símbolo foi associado a Hórus e, mais tarde, ao deus solar Ra.
2. Esta é a única e misteriosa menção a Pandeia nos textos gregos conhecidos.

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