1º COLOCADO

Nascer

Luciana Mariz – João Pessoa

Semente de lótus, enterrada em lodo jazia

De olhar só pra fora, tão cega, via nada

E pelo abraço da matéria enlaçada

Julguei ser não mais, que parte desta terra fria

Mas eis, que reconheço-te um dia

Qual chama vertical a se erguer

Em esforço para à terra não pertencer

Cresces, vencendo a escuridão sombria

Já não vago só, dá-me a mão o bom Mestre

Irradia-me com a mais clara e límpida luz

Pela trilha ascendente, com mão firme conduz

Ensina-me o trabalho que o Ideal fortalece

Que há muito estive a dormir, vejo de repente!

Ensinai-me depressa como romper este grilhão

Para ao sol oferecer o mais belo e puro coração

A mais branca flor que hoje carrego latente

Desperta então a dor mais celeste

O coração em chamas principia transmutar

Aumenta, arde, transborda, chega a dilacerar

A fome de sol em meu seio cresce

Tanto, tanto, que já não cabe em mim

É chegado o momento de com esta vida romper

E à Vontade do gérmen faz a casca ceder

Julguei que fosse morrer…e nasci!

2º COLOCADO

Caminho dos Deuses        

                                                                      Julia Camarotti – Brasília

Oh Pedra, lembra-me da força e solidez que me é inerente,

E de que tranqüila e paciente, posso ser resistente.

Lembra-me de que, de chumbo posso ser ouro brilhante,

De barro posso ser mármore, e de carvão, diamante.

 

Oh Planta, lembra-me como posso renovar energia,

da qual o sol interno é fonte, destino e guia.

Lembra-me que finco raízes no mistério do ser,

E que servir perfume, é divino dever, sem espera de fruto prazer.

 

Oh animal, lembra-me que na luta travada por toda gente,

Pelo território espiritual devo ser valente.

Lembra-me de deixar voar aquele a quem devo ensinar,

Por instinto de amar e dom de internamente multiplicar.

 

Oh homem, seja aquele que busca e descobre,

Entre tantos, o elemento mais nobre.

Veja como é falsa a separação, e busque incessante a reta-ação,

Por meio da qual pulsa teu verdadeiro coração.

 

Oh deuses, a quem ousaram tentar imaginar os heróis:

Ao longe e presente… indicam a rota como faróis,

Guiam paciente e sem oscilar ante fúria do mar

O regresso inexorável do marinheiro ao seu lar.

 

Inspira-nos a ser ponte entre irmãos náufragos

e o porto de onde partem os três Logos.

Inspira-nos a brilhar, ao refletir tua luz essencial,

e a erguer-nos fortes ante as rajadas do frio-Temporal.

3º COLOCADO

Mudança

                                             Isabella Galvão – Brasília

 Mudam-se os tempos e as gerações,

Mudam-se os sentimentos, pensamentos…

Já tudo muda, em regular transmutação,

Só minha alma luta contra o movimento…

Que torna coisas materiais em passageiras,

Qual uma doce ilusão de véus de Maya.

E aprisiona ao ciclo duro e inexorável

De ignorância e sofrimento infindável.

Que os Deuses doem uma gota de sua luz,

E a caminhada já não seja tão escura…

Desenganados pela sombra que seduz,

Que retomemos nossa trilha da ventura.

A caminhada até vós é tão difícil…

Mas já existiu quem alcançasse  a conquista.

E temos mestres que, de um degrau acima,

Nos estimulam: ”É possível, não desista!”

Sofrer, no  jogo de mudanças, não vou mais,

Pois vejo coisas que o tempo não domina.

E guardo-as sempre em minha alma peregrina:

A vida muda, mas já não olho para trás.

Anúncios