Aqui estão as poesias vencedoras do 5º concurso de poesia entre Damas, promovido pela Escola de Filosofia Prática Nova Acrópole.

1º Lugar

ENCONTRO COM ODISSEU

Senhor, se me permite entrar

Meus joelhos se dobram ante vós

O destino me fez procurá-lo

Que sorte, estamos a sós…

 

Pois é sozinha que me apresento

Sem nada que me oculte a face

Na porta do teu palácio

Um vento arrancou meu disfarce

 

Conheço vossa história de provas

Netuno não vos deu descanso

Oh, grande Rei Odisseu

 Eu peço: ouve meu canto!

 

Preciso de tua astúcia

De tua infinita coragem

Quisera me olhar num espelho

E ver refletida tua imagem

 

Também tenho sido provada

Naquilo que mais me apavora

Olhar a mim mesma e não ver

Aquela que construí outrora

 

Quem é essa que sou hoje

Irreal como vossa sereia ?

Ou foi a matéria que usei

E fiz colunas de areia ?

 

Nessas horas me questiono

Sofro, caio e me levanto

Meu coração chora por dentro

Por fora ninguém vê meu pranto

 

Porque convosco aprendi

Que mesmo com dor se navega

No navio que viaja minh’alma

Nenhum marinheiro se entrega

 

Vossa jornada foi longa

Como companheira, a razão

E nos momentos difíceis

Atena pegou vossa mão

 

Descobri que só assim é possível

Sangrando, me levantar

E olhar a estrela sublime

E nela então repousar

 

E eis que na penumbra do templo

Me curvo no espaço sem fim

E percebo que aquela que busco

Sempre esteve dentro de mim

Alice Andrade – Nova Acrópole – sede Recife

***

2º Lugar:

LEÔNIDAS E SEUS TREZENTOS

No centro do furacão habita o Guerreiro,

Olhar de leão, mira firme, certeiro,

Encara a morte, o medo, a dor.

E, vencendo o maior inimigo,

Ergue o escudo, protege o amigo,

Constrói a falange nascida do Amor.

 

No centro do estado, governa o Rei,

Sublime e justo pontífice das leis.

Ouve os deuses e sobre teus ombros cai dura decisão:

Escolher, dentre os mantos vermelhos, bravos trezentos,

Que não marchem por dinheiro ou látego neste intento,

Mas, obedecendo a ti, guiados pelo coração.

 

Entre o céu e a terra, o Herói faz seu reino.

Descendente de Hércules, da Grécia, o paladino

Moveu centenas contra milhares, num ato de glória.

Caíram os corpos, voaram as almas no estreito dos portões quentes.

E este exemplo de homens águia motivou a toda gente,

Lançando sua nação à conquista da vitória.

  

Dignos irmãos de nobres laços,

Com vossos passos, escrevestes a história

E deixastes em nossas vidas vossos feitos,

E acendestes no coração a chama da memória

De sermos fiéis ao eterno embate

E não temermos jamais o combate.

E percebermos, neste laço, que a morte é ilusória.

 

Nós, damas e cavalheiros, sonhamos com este abraço

Forjado no conflito, coragem, bater de aço.

Ensina, Leônidas, pela união, lembrar quem somos.

E, se merecermos, escreva, ó Clio, em seus anais,

Dos guerreiros escarlates, as palavras imortais:

“Digam aos espartanos, estranhos que passam, que obedientes às suas leis, aqui jazemos.”

Unidos,

Assim também seremos.

 

Eloiza Limeira – Nova Acrópole – Sede Nacional

                  ***

3º Lugar:

O BRADO DE ATENA

Separadas em meio ao caos sem fim,

Perdidas no combate, cada uma por si,

Vendo a pior das mortes aproximar-se veloz,

Neste decisivo momento, ouvimos a tua voz!

 

Ecoa um brado tão poderoso,

Que os corpos tremem ante tamanho colosso!

Como perpassados por certeira lança,

 Em nossos corações se reaviva a esperança…

 

O voo da coruja, confirma o que pressinto

Acima de nós, surges, nobre filha do Olimpo!

Da prudência de Métis, da força de Zeus

Tão poderosos são os atributos teus!

 

Oh, virgem de sabedoria plena,

Ensinai-nos a arte da guerra serena!

E a conquistar o valoroso discernimento

Que faz cessar nas almas todo tormento

 

Já ouvimos da batalha o chamado do tambor

E lutaremos ferozes pela vitória do Amor

Empunhando flores e espadas

Vestindo aço e sedas

 

Para que caia a noite, para que vença o dia,

Somos uma só forma em harmonia,

Do mais nobre azul, da mais pura prata,

Perfila-se ante Ti, fiel, a tua brigada!

 

E com tua visão clara, iluminas as trilhas,

Converte-nos em tuas corajosas filhas

Pois amamos essa verdade certeira

De que para ser dama, há que ser guerreira!

 

Luciana Mariz – Nova Acrópole – Sede João Pessoa

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