Um dia, foi fácil te chamar…
todas as crianças o faziam!
Bastava assoviar de certo jeito,
com um mágico sentimento no peito.
E os galhos das árvores balançavam,
como se obedecessem à autoridade inocente
que brota da criança que não duvida do que sente.

 Tu, Amigo, obedecias e pronto.
Não tinha como ser diferente…

Mais tarde, na escola, disseram que tu, Amigo Vento,
eras simplesmente o ar em movimento.
Movimentação sem vida, insensível e dura,
das massas de ar de diferentes temperaturas.
Mas, na Alma de Poeta, que crescia te chamando,
vendo teu efeito nos galhos de árvores balançando,
eu duvidava…
Ainda bem que duvidava…
Percebia que aceitar daquele modo não seria capaz.
Sabia que tu, Amigo Vento, eras mais, muito, muito mais.

Pelo arvoredo que balançava,
na resposta ao meu chamado,
eu te perguntava:
Amigo Vento, por onde tens andado?
Que confins de mundos tens visitado?
Vem, Amigo! Permite-me voar, viajar contigo!
E tu, desdizendo a escola carola,

pela imaginação que, ainda hoje, guardo como amiga,
contavas para mim, então, das maravilhas da vida:
de reinos mágicos, de cidades perdidas
e de coisas pelos homens esquecidas.

Hoje, Amigo Vento,
viajo contigo através de meus sentimentos…
Com este presente, chamado inspiração, que me traz alento.
vendo a vida nos galhos das árvores em movimento.
Ouço-te no peito, sentindo o alerta da Alma Poetisa,
que em tudo vê Deus, de forma clara e concisa.

Antes, Amigo Vento, por uma autoridade inocente,
chamava tua presença. E tu, de repente,
 obediente, respondias com prontidão.
Hoje, Velho Amigo, és tu quem me chamas calmamente,
por um sopro de Poesia no coração.

 

Wilson Trannin Filho

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