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“O amor, apreendido à primeira vista nos olhos de uma Dama, não vive somente encerrado no cérebro, mas sim com a mobilidade de todos os elementos e propaga-se tão rapidamente como o pensamento em cada uma de nossas faculdades e infunde-lhes um poder duplo, multiplicando as suas funções e seus ofícios.

Acrescenta aos olhos uma segunda visão de valor inestimável. Os olhos de um enamorado penetram mais que os da águia; os seus ouvidos percebem o murmúrio mais ligeiro, que escapa aos ouvidos suspeitos do ladrão; o seu tato é mais fino, mais sensível que as ternas antenas do caracol na sua concha espiral; a sua língua é mais refinada que a do guloso ávido Baco.

E quanto ao seu valor, não é Amor um Hercules subindo continuamente as árvores das Hespérides? Sutil como uma esfinge; tão acariciador e musical como o alaúde do brilhante Apolo, que tem por corda os seus cabelos.
Quando o Amor fala, todos os deuses emudecem para escutar a harmonia de sua voz. Jamais poeta algum ousou pegar numa pluma para escrever, antes que sua tinta se misturasse com as lágrimas do Amor.

Oh! É se não quando os seus cânticos embelezam os ouvidos mais duros e infundem aos tiranos uma doce humildade. Tal é a doutrina que extraio dos olhos das mulheres, que cintilam sempre com o fogo de Prometeu. Elas são os livros, as artes, as academias, contêm e nutrem o universo inteiro. Sem elas ninguém pode sobressair em nada”

William Shakespeare, em “Trabalhos de Amor Perdidos”

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