Quando lembro daquilo que amo,

tudo é motivo para expandir e ir além.

As flores, que ninguém jamais veria,

encontram brechas para nascer e vir à tona.

As coisas nobres da vida,

o que emociona e, ainda melhor, tudo o que eleva,

e até as folhas secas, que o vento arrasta e leva,

tudo é poesia quando lembro do que amo.

E quando, aos quatro ventos, meu amor proclamo,

ouço ecoar minha voz nos quatro elementos…

e as emoções buscam, em espiral, os sentimentos,

e nada resta sobre a terra que eu não veja belo,

pois o meu amor é liga, é forte elo,

é compromisso com a beleza e com a esperança.

E até as aves, que compreendem tudo isso,

entoam meu amor a toda Terra, nas auroras.

E revigora o ardor, para quem luta e avança,

e esgotam-se as lágrimas, para quem sofre e chora.

Tudo isso, ao transbordar, o meu amor atinge e alcança,

pois, ao jorrar do céu em vales e montanhas,

preenche o que está vazio,

apara o que fere e arranha,

é cálido abrigo, no frio,

é brisa fresca, no calor.

E, acima de tudo, é Amor,

e estará aí, ainda, quando

as fúrias do tempo, soprando,

levarem os vales e os montes,

levarem o calor e o frio,

e só restar o vazio,

tão total e absoluto,

tão profundo e sem horizontes…

Aí está a nascente, a fonte

de onde brota o meu amor,

pois meu coração aí vive,

e baila, e dá à luz o Universo.

E aí nascem as leis, sempre em versos,

que, tomando forma em palavras,

são, em síntese, o que sinto e o que proclamo

aos quatro cantos, quando lembro do que amo.

Poesia de: Lúcia Helena Galvão http://www.luciahga.blogspot.com
Imagem de: Daniel Gerhartz “Goodnight Moon”
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