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Anualmente a Organização Internacional Nova Acrópole Brasil Norte realiza o concurso de Poesia “Letras da Primavera” entre os membros do Curso de Filosofia Prática oferecido na sedes do centro-oeste, norte e nordeste.

Este ano, a mostra poética trouxe belíssimos poemas cheios de inspiração filosófica:

 

1° Lugar

Conhecer-se

 

Saber buscar dentro da alma

Tudo que ali existira.

E compartilhar, com calma,

Aquilo que ela inspira.

 

Pode assim tirar de si

O novo que se apresenta.

Encontrar talvez ali

Algo que nem mesmo entenda.

 

Essa missão grande e nobre,

Essa dádiva divina,

Buscar tudo o que encobre,

O que nem mesmo imagina.

 

Depois ir se conhecendo

Numa reflexão constante,

Porque assim irá crescendo,

Sem nunca crescer o bastante.

                       

Elza Rocha

 

2° Lugar

O preenchimento do vazio

 

Desde tempos imemoriais

Ecoa nos homens uma nostalgia,

Um sonho difuso e esquecido:

Lembrança de um tempo de sabedoria.

 

Desde que a lua brilha no céu

Há uma hesitação, um apelo,

Foi dado ao homem um grande vazio,

Dado também o dom de preenchê-lo.

 

Há longos e infindáveis anos,

O homem foi incitado a buscar

O grande mistério por trás da vida,

Para o silêncio interno enfim calar.

 

Desde o primeiro suspiro do vento,

Mestres falam do valor interno,

Que em meio ao nevoeiro carnal,

Devemos despertar em nós o eterno.

 

Quando vivermos com grandeza

O vazio não mais será angustiante,

Mas nos ensinará a humildade

De saber que a evolução é constante.

 

E essa grandeza pulsa na terra

Como um único unido coração,

E apesar de imensa majestade,

É criado com uma simples emoção.

 

No dedilhar da canção,

O amor do músico que emociona,

No passo da bailarina,

O brilho do olhar que impressiona.

 

Pois é na harmonia das notas

E na graça dos passos treinados,

Que está a grandeza da vida,

O sentido por trás dos atos.

 

Está na simplicidade contente

E no desenvolvimento do amor latente,

Pois o que importa para a realização

É, em última instância, o que vem do coração.

 

 Isabella Camarotti 

 

3° Lugar

O Jogo

 

 O vivo e a Morte se defrontam,

No tabuleiro das experiências, vidas.

Quadras alvas e negras cenas criam,

Vistas há muito na mitologia.

 

O cavaleiro avança com a espada,

Para a morte foi-se seu medo.

Determina a sorte já lançada,

Pelo arbítrio de jogar primeiro.

 

A morte lhe sorri perene,

Põe em cheque ínfimo peão,

Perdido nos confins de sua mente,

O cavaleiro confronta a solidão.

 

Vê toda sua vida de en passant,

Ao pesar, ante o Rei, seu coração.

Vê manobras, golpes, sacrifícios,

E as peças que jamais retornarão.

 

As estratégias o livram do tártaro,

Levam a Rainha ao Aqueronte.

E a vida desata o fio de prata.

E a morte já não mais se esconde.

 

Uma luz brilha em seu atino,

O seu bispo o atravessa ponta-a-ponta.

O leva a livrar-se dos cavalos.

O leva a rocar no Devachan.

 

E o jogo de Sansara recomeça,

Mesmo cavaleiro e tabuleiro.

Novas aberturas, novas peças,

A enfrentar a morte e o barqueiro.

 

 Igor Alcantara 

 

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