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1° Lugar

Mistérios 

 

Lembrando o primeiro momento,

a afinidade que tive,

a procura que fazia,

Vejo hoje, mais ao longe,

que a atração pelos mistérios

era o que me movia.

 

Homens que somos, um dia,

Chegaremos aos  Mistérios,

Mas ainda tarda o acesso

Pois perversa e rude, ainda,

Presa em pequeno universo,

Limitada pelas falhas,

Não entendo que a vontade

Move todos os progressos!

 

Não ouso romper os limites

Que me impus, buscando “paz’

Que só se encontra na união com o Ideal,

E nada mais.

 

Presa no próprio cárcere-crisálida,

tão frágil como o da borboleta,

por me julgar incapaz…

Fantasiei ser tão difícil de romper

todas amarras que teci, tempos atrás!

 

Homem é o que sois,

Mas podeis ser muito mais!

Se tu quiseres  ousar, ser e crescer,

Se tu quiseres mais ágil caminhar,

Romper, com a garra e a força da tua vontade,

tão generosamente concedida…

Romper, com a juventude que não tem idade,

As amarras de tua vida…

 

Em nome de quem te guiou,

Invoca a Vontade!

Invoca a inteligência, tão mal utilizada,

Invoca o Amor, que usas pouco ou quase nada…

 

Frente aos Mistérios que quereis ganhar de graça,

Pouco ou nada tens avançado.

E vê que mais um ano já se passa…

Sem que a visão de Deus tenhas sequer roçado…

Esse Mistério tão divino que aprisionas 

Porque tua inércia pretende ser

tão infinita quanto o teu próprio Ser …

 

Desperta, dama!

Desperta!

Invoca a dor que há de ferir na hora certa,

Banindo o sono

 

Caminha depressa, foge à sombra do abandono

Do guerreiro sagrado que aguarda em ti!

Este herói que , um dia, te trouxe até aqui,

És tu, verdadeiramente, és tu!

Liberta-o!

Depressa, liberta-o!

 

Teus dias estão terminando,

Teu prazo está chegando ao fim

E se não te apressardes, ah!

Agora sim!

Terás todo motivo para te arrepender

E o poderoso Cronos te devorará

E nada mais poderás fazer.

Kairos já terá passado, e tu,

Nada terás deixado

de rastro que embeleze e traga luz à terra

que te abrigou a cada instante

 e em todos os momentos, te ofereceu o presente

 do seu néctar divino.

 

Nada fizeste!

Teus passos foram pequenos, frágeis, cuidadosos demais

a ponto de nada deixares para trás…

Não te arrependas mais!

 

Caminha depressa, agora, pois ainda há tempo!

Os Deuses nunca te abandonarão!

Tua vontade é poder

E teu amor é tocha

Na escuridão…

 

Foge da autocompaixão.

Compreende o teu papel.

Tantas vezes já entendeste isso tão bem…

Tantas vezes, leal  aprendiz…

E quantas vezes isso já te fez feliz!

 

Relembra! Abre teu coração!

Relembra e faz desta lembrança uma missão,

Pois é o momento mais precioso de tua vida!

 

Novamente, as porta do Mistério se abrirão

diante de ti e para ti: a Vida é assim.

Não se cansa de ti, e sim

todo o contrário:

Tu é que cansas dela, e sem motivos reais.

Tu é que sempre te acomodas e não lembras mais.

Tu és culpado de tua própria negligência!

Tu adormeces, com mil vozes, a consciência,

E tua Vida, abandonas para trás!

 

Abre teus olhos!

Apura o passo!

Não brinques mais!

Caminha!

 

Caminha depressa, mas sempre seguindo a Voz

daquele grande experiente que te ouve e te conduz,

daquela voz

que te ensina quando ouves,

e te chama, quando vais.

 

Esse que sempre foi teu referencial,

Teu Pai real,

e te mostrou o caminho

de acesso a tudo isso:

tua busca dos Mistérios,

teu amor ao compromisso.

 

Caminha, faz-te brava!

Caminha!…

Refresca tua memória e aquece o coração.

Caminha!

Que, com teu passo, serás parte desta Luz,

E, com tua inércia, sumirás na escuridão.

 

Andrea Ilha

Nova Acrópole – Sede Asa Sul

***

 

2° Lugar

– Valsa Misteriosa

 

Para poder bailar com o Mistério,

há que se ter uma oculta ciência;

poder sentir, qual um mar, o império

que aguarda, imenso, a luz da consciência.

 

Talvez por toda nossa carência

ou até por uma vaidosa abundância,

hoje, este mar é apenas ausência

entre mil vidas de angustia e de ânsia.

 

O ousado e desafiador convidado

espera a um canto, atento e elegante,

que a alma pura, jovem debutante,

o veja e venha postar-se ao seu lado.

 

Ele aguarda e observa a criança

que ainda brinca no enorme salão

sem atentar que seu anfitrião

com seu olhar, a acompanha e alcança.

 

Sempre trajado de negro, o fidalgo

com sua face velada, conduz

seus jovens passos, quase à meia-luz,

e vão girando, em busca de algo…

 

No baile, voam e exploram o espaço,

mas a uma regra somente ele obriga:

que haja entrega, que a alma o siga,

e que não tente lhe impor o seu passo.

 

Ouça esta valsa, que é voz do Universo…

Veja este par, Uno na dualidade…

Numa espiral, rumo ao Centro e à Verdade,

O Selo da Iniciação levam impresso.

 

Julia Camarotti

Nova Acrópole – Sede Nacional

***

 

3° Lugar

Mistério da gota

                             

O riacho que corre sereno

Revela o fio d’água da nascente.

A frondosa sombra, a obra saborosa do Outono

Revela que um dia foi semente.

 

Tudo que um dia será, guarda latente.

Há que conhecer o subterrâneo

 Viver a escuridão, romper o duro casulo,

Vazar a terra e sair à luz.

 

Há que se dobrar ao vento,

Estalar ao sol, banhar-se na chuva,

Florir na Primavera…

Há que conhecer os ciclos!

 

Há que saber reter e deixar perder.

Resistir e renovar ao infinito.

Até brindar o mundo com seu fruto doce

Enquanto houver plantio e estação.

 

O riacho que cumpre seu curso

Que desvia das pedras, que une enquanto corre

Chega e se funde ao imenso mar azul

Este expande e se recolhe. Expande e recolhe.

 

E vai brotar na gota da pequena e silenciosa grota

Realizando mais um mistério do ir e vir da grande mãe.

Qual a Alma que pequena surge,

Que brota e se revela no infinito oceano de uma gota.

 

Claudinelli Aguilar 

Nova Acrópole Goiânia – Jardim América

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