E, em algum lugar do tempo,

eu, menino, sentado na calçada

que ficava à beira da rua,  

olhava no céu e via a lua,

alta, clara,  linda, prateada.

 

Guardo ainda, na lembrança,

uma certeza de poder falar com Deus,

e mais…

a de poder ouvi-lo, em sua sabedoria…

A sensação de segurança

que se tem, quando criança,

de falar, de perguntar

a quem tudo sabia.

 

Perguntei, então, a Deus

se a Lua estava muito longe,

e por que, vez por outra,

 no céu, ela se esconde.

 

Disse Deus, me respondendo:

filho, pra imaginação,

tudo é perto, tudo é aqui.

Feche os olhos, e então…

Procure no coração, dentro de si,

e encontre…

Esse poder de ver,

esse lugar, essa fonte

que faz o escuro clarear,

o escondido aparecer

e faz perto o que está longe.

 

Hoje…

pela Poesia,

meu lugar, minha fonte,

trago perto o distante passado,

e o sentimento de um momento

que ficou no coração gravado.

E digo, sem medo de estar errado,

sem receio algum,

que ali, à beira da rua sentado,

eu, a Lua e Deus éramos Um.

 

 

Wilson Trannin Filho

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