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Dize:
O vento do meu espírito
soprou sobre a vida.
E tudo que era efêmero se desfez.
E ficaste só tu, que és eterna …
CÂNTICO IV
Adormece o teu corpo com a música da vida.
Encanta-te. Esquece-te.

Tem por volúpia a dispersão.

Não queiras ser tu.

Queira ser a alma infinita de tudo.

T roca o teu curto sonho humano

Pelo sonho imortal.

O único.

Vence a miséria de ter medo.

Troca-te pelo Desconhecido.

Não vês, então, que ele é maior?

Não vês que ele não tem fim?

Não vês que ele és tu mesmo?

Tu que andas esquecido de ti?

Cecília Meireles em “Cânticos”

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