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Todos os anos a Organização Internacional Nova Acrópole Brasil-N realiza entre seus membros o concurso “Letras da Primavera”, promovendo o florescer da Arte da Poesia nesta estação tão especial

A seguir, os poemas selecionados para a mostra do concurso e os três primeiros vencedores.

Dentro de sua proposta de Filosofia, Cultura e Voluntariado, Nova Acrópole oferece em diversas de suas sedes oficinas de poesia para seus alunos. Encontre a escola mais próxima emwww.acropole.org.br

1o Lugar

 

Construtores

 

O mundo em que hoje vivemos

já viu grandes tempos honrosos.

Gerou homens bons, valorosos,

dos quais tantas obras colhemos,

repletas de sonhos grandiosos

Neste chão sedento e plano,

onde morrem os canteiros,

foram muitos os guerreiros,

protetores de alto arcano,

que entregaram-se inteiros.

Jazemos hoje em fundação rompida,

levada à ruína por vis valores,

e é solo fértil esta terra batida.

Plantando em sulcos sementes de flores,

há de brotar a resposta retida.

O império erguido com mãos tão unidas,

do qual todos nós já fazemos parte,

se faz um berço de idéias antigas

p’ra abrigar uma nova humanidade.

Sigamos com fé na estrada adiante,

cedendo vícios e falsos amores.

E, desta senda do eterno e constante,

Sejamos nós guardiões, construtores.

​Raquel Mendes 

 

2o Lugar

Idílio a Vulcano

 

Eis que Vulcano​…

Prepara as suas ferramentas

Polidas, ordenadas, perfeitas.

E, no interior de sua forja, intenta.

Em sua mente, o molde origina.

Domínio de tantos mil labores.

Eis o custódio das armas divinas.

Eis o Pai, dos novos construtores.

Da música, ele chega às Idéias.

Dos números, as equaciona em razão.

Da terra, extrai prima matéria.

Da técnica, a ordem de ação.

E o fogo arde e sutiliza o aço.

O cinzel mordente, o tempera.

O suor liquefaz o esforço.

E a bigorna, a tinir, opera.

Plasma ferramentas arquetípicas,

Para homens laboriosos e capazes

Erguerem-se em obras épicas,

Através de existências fugazes.

Ás do trabalho, geração.

Traduz, no fogo, perfeição.

Traz, ao mundo, plasmação.

Senhor da frágua, és o Vulcão.

Pai Vulcano, o coxo, o velho.

A vós se erguem os estandartes

Daqueles que amam o trabalho.

Igor Alcântara 

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3o Lugar

A jornada do cavaleiro triunfante 

Contempla tua jornada com os olhos prudentes e o coração valente

Forje em ti o guerreiro fiel à batalha do bem e do nobre.

O véu do medo se descobre

Todas as vezes que a coragem prevalece.

Esteja pronto como o fio de trigal que tece

Em todo o seu esplendor a boa colheita do dia.

Jamais adie uma boa obra

Jamais te deixe substituir na precisa hora.

Lembre-te que a tua missão é compor o universo

Não te misere ao animalesco cotidiano mundano

Seja para a vida o que espera que a vida seja para ti.

Semeie no hoje a vigorosa árvore do amanhã.

Segue teu Deus

E assegura-te de bem guardá-lo em teu coração.

Se os cristos ou os budas são os teus guardiões

Não te esqueça de preparar o altar de tua alma – limpando-a dos grilhões das paixões.

Qualquer deus permitirá que tu refugies nele

Se antes, ele puder refugiar em ti.

Lembre-te, contudo, que só é digno de ter dentro o melhor vinho

A taça limpa e bem preparada.

Seja a espada que dissipa o fraco e o débil

De tua caminhada.

É através dos espinhos

Que a rosa é bem amparada.

Não fuja, portanto, da tua jornada

Pois só ela transmutará teu ser a mais elevada morada.

Ela é o sagrado fogo que te elevará às alturas.

Encha o peito de coragem e o coração de boa vontade.

E prepara-te para percorrê-la com graça e amor.

O fervor te levará a cavalgada que necessita viver.

A disciplina te dará ferramentas para nela crescer.

Coloque tua alma adiante, permita que ela seja tua guia, siga a jornada confiante;

Sejas tu o verdadeiro cavaleiro triunfante!

– Daniella Paula de Oliveira

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Poemas escritos pelos alunos do Programa Janos (Filosofia para Jovens)

 

“Poesia e Poeta “

Poesia não é algo que se decora,

Poesia é algo que se sente.

Bela como a flora,

Delicada, ao tocar o coração da gente.

E um poeta, o que é?

Poeta é aquele que, com apenas caneta e papel,

Olha para um ponto qualquer,

Descreve coisas pequenas como flores,

Infinitas como o céu

Barbara Galvão 

***

“Flor da Primavera”

Flor da vida que ao renascer embeleza ao redor,

o redor que se enche de olhares admirados

e seus corações encantados

com sua beleza.

Sua beleza que espalha pelo horizonte,

com seu céu infinito,com seus rios a correr,

com árvores a florescer,

com sua energia a crescer.

Energia que motiva ,

inspira, aquece,

que nós fortalece.

Que fortalece a cada passo,

a cada etapa,

a cada aprendizado.

Que faz crescer o interior

de bondade, ordem,

coragem, felicidade,

vontade.

Vontade que nunca acaba,

vontade que renasce da guerra interior,

que travamos a cada dia,

vontade que renova como a natureza.

Natureza que traz do verão que aquece

ao outono que acalma,

o inverno que esfria,

a primavera que chama vida,

vida que que renasce a cada a ano

Como as flores que florescem

Como um novo começo, novas escolhas para seguir,

Novos caminhos a percorrer

Novas provas a surgir

Nova vida renascer de um belo ser

Uma flor a florescer

Matheus Melo de Miranda

***

VIDA

Já tivemos tempo pra pensar

mas,nada pensamos

tivemos tempo para nos alegrar

apenas rimos da vida

Alguns esquecem de sorrir

Outros esquecem seu valor

mesmo assim culpamos a vida…

estrelas brilham no céu

e não percebemos sua beleza

todos vivem momentos bons e ruins

Mesmo assim andamos pelo mundo

a procura da vida!

o que é vida?

Será que é algo de valor!?

todos somos belos Paladinos

Grandes guerreiros da paz.

 

Gabriel Macedo dos Santos

 

 

 

Outros poemas participantes do Concurso

“O chamado de Dulcinéia”

Ó Cavaleiro andante, a quem sempre vejo cavalgar.

Diz-me, o que procuras?

Quais os segredos velados em teu olhar?

Ó Cavaleiro andante, que nunca pára de buscar.

Diz-me, o que procuras?

Que é essa Força que não o faz parar?

Ó Cavaleiro andante, que está sempre a orar.

Diz-me, o que procuras?

Onde está o Céu que te faz sonhar?

O que procuras, Nobre Cavaleiro?

É o teu olhar em busca de uma Dama?

É a tua lança a procura da Lei?

Ou teu coração em busca de um Rei?

O que buscas, Nobre Cavaleiro?

– Busco uma Dama, um Rei e sua Lei,

Busco Dulcinéia.

Não a vejo, não a conheço,

Mas a sinto.

Ouço tua melodia, e a sigo.

E se eterna for tua melodia,

Se eterno for o teu chamado,

Eterna será minha busca por ti, Dulcinéia.

 

Ingrid Gurgel

***

Prece às musas pela inspiração”

Aonde está? Em que canto repousa?

Esta difusa melodia de encantos

Que me faz superar o meu pranto

Luz que me guia nesta escuridão

Levante-se ante a sua luminosa essência

A pesada e turva cortina do esquecimento

Com o ímpeto da juventude pujante

A vitória viceja em tua face

Como seta que corta o espaço

Em busca do almejado alvo

Rompa as negras e opacas correntes

Com dardos de luz ilumine nossa mente

Que a destreza me guie na tormenta

E das trevas a luz se faça

Que a força encontre a vontade

E dessa união a inspiração renasça

Herica Lima

********

 

” Esperança humana”

Há esperança escondia em cada amanhecer

Quando a escuridão se esvai frente ao raiar do sol

Mistério divino, retrato do poder,

Oculto na vida, na natureza e em meu próprio ser.

Como é o nascer do sol em meu coração?

Acaso espanto as trevas e reconheço-me?

Ou me perco em tortuosos caminhos, sem fim ou finalidade.

Guardo a mim mesma, acaso um pouco de lealdade?

Sou fiel aos princípios que guardo profundamente em meu peito?

Minha moral intocada, não se abala com nenhum trejeito?

Tenho ritmo de vida, o sol nasce em mim todas as manhãs?

Ou se quer me lembro disso, me perdendo em vida vã?

Luz mágica que se esconde na matéria, e dentro dela se oculta.

Brilho que alimenta a si mesmo e pela eternidade se perdura

É mistério da vida, que fala a alma e alimenta o coração.

É mistério que silencia os instintos e dá asas a imaginação

Grandioso sol, que me ensina sobre o meu próprio ser.

Luz intensa que me intriga e me silencia

Existe uma esperança oculta na vida, expressa em cada amanhecer.

O homem pode voltar a sonhar, viver e não sobreviver.

 

Ana Cássia 

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“SEDE DE SENTIDO”

Me move uma sede de sentido

Sentido de viver, não apenas ter nascido

Me move uma sede de sentido

Sentido de fazer, sem ter nada prometido

A vida rasa, não faz sentido

Me move uma sede de sentido

Sentido de ter, a grande vida vivido

Vida comandada pela alma, não pelos sentidos

Me move uma sede de sentido

Sentido de lutar, não apenas resistido

Convoco o guerreiro Arjuna para a luta

A luta se faz com a envergadura do arco

A força da vontade dobra o arco da personalidade

Poderes latentes afloram com a intenção

Intenção, conectada com a vontade, se faz ação

A potência do arco é ativada

E a força que o continha é liberada

A flecha voa…

A alma entoa…

A alma em viagem, o alvo anseia

O Alvo, é o Ser que tudo permeia

Flecha, alvo, alma, Ser

Tudo se funde

Tudo é o Ser

E neste fugaz momento…

Tudo faz SENTIDO

 

 

Roberto Agostinho dos Santos

***

 

“INCURSÃO”

Da janela do meu quarto

Que fica de frente pro mar,

Ouço no farfalhar do coqueiro

Que há notícias vindas de lá.

Mas que mensagens são essas,  deus dos ventos,

Que insistes em anunciar?

Ouço-as no balançar das palmeiras

Mas não consigo decifrar.

Até a grama rasteira,

Ao ser roçada por ti,

Compreende, já maroteira,

O que eu não consigo traduzir.

Em vão às estrelas e ao luar, perguntei.

Em vão à terra e ao mar, questionei.

Porém, foram unânimes em me responder,

Que essas mensagens eu já as conheço

Desde antes de eu nascer.

Buscadora por natureza

E desejosa de saber,

Empreendi viagem misteriosa,

Bem prá dentro do meu ser.

Qual Arjuna, do Mestre, a presença fiz questão.

Conhecedor tão profundo da trilha do coração,

Impossível declinar de forte e sagaz condutor,

Que das armadilhas sutis é grande sabedor.

Logo de início o medo, a minha visão turvou.

E, por conseguinte a dúvida, na minha mente se instalou.

O mestre,  sabedor que sem sacrifico, luta ou esforço

Não há ganhador, instruiu-me a combater

Com as armas invencíveis do poder.

Primeiro, clareza mental desenvolver para convicção gerar.

Permear com bons sentimentos,

As ações e os pensamentos.

Dominadas as  emoções proceder a alquimia,

Processo sem o qual a aventura não prosseguiria.

Retirada as impurezas, o Mestre norteou as ilusões vencer,

E também atentar para não me deixar com o êxito me embriagar.

Pois a sala da instrução, pode confundir o coração.

Assim, já adentrando no mais profundo do meu Ser

Pude, finalmente, as mensagens compreender:

“Importa  saber quem eu sou e o que vim fazer,                                                                       Descobrir minha Identidade e ver que pertenço à Unidade”.

Agora convido a cada um,

Semelhante incursão com o Mestre realizar.

De maneira que ao nos vermos todos UM,

Possamos, conscientemente, à Unidade retornar.

Marisvalda Soares 

***

“Minha Mística”

Viver com cerimônia

Prestar atenção  à vida

E encontrar nos detalhes

A presença  divina

Estou perto,

Estou longe,

Acordado, desperto

Meu Eu que se esconde!

Cadê  os detalhes?

Cadê minha vida?

Se vai nos olhares

Como água escorrida

Vive sem pressa

Com atenção  e consciência

Com a divina presença

A vida é essa.

 

Gabriel Lastra

***

 

“O CERRADO”

Belo Cerrado

Torto, seco e exuberante

Não há natureza que agradeça tanto a um carinho

Flores surgem no meio do deserto

A alegria se expressa em cada vermelho, em cada amarelo, em cada laranja

Mostras a beleza da simplicidade

Teu contraste te revela

Tudo aparece

Por seres simples, torto, mostras a vida

Vida que nasce e morre

Morre como se nunca mais fosse nascer

Nasce como se nunca tivesse morrido

Vitor Cassab Danna

***

“O tempo”

O tempo me acontece

Acorda a alma caminhante

É cúmplice de minhas curas

O tempo me orgulha

Distancia-me do passado

Para permitir lembranças do que fui

O tempo me repõe

Reconstrói a minha identidade

Me faz perceber o que ainda sou

O tempo me resgata

Toca nos sinos da estima

um som que chama o meu nome

O tempo me revela

a porção heroica desconhecida

que desperta a minha humanidade perdida

O tempo me entrega

a justa medida de esperança

para encorajar o próximo passo do caminho

Maria Raquel Melo

***

“Dama “

Começo hoje a saga da dama,

Símbolo de beleza e generosidade.

Acolhendo a vida e dando a luz

À justiça, à nobreza e à verdade.

O ato de ser dama alude

Uma dose a mais de cortesia,

Delicadeza, leveza e virtude…

Suaves palavras em uma poesia.

De passos leves, embora firmes.

As palavras: doces, embora fortes.

Junto ao toque amigo e brando.

Um olhar manso que a todos acolhe.

Meu coração será um Templo

E minha mente será o guia.

Em essência, serei Alma

Que a nobreza de uma Dama irradia.

Em espírito, serei esteio.

Âncora firme na tempestade.

Guia de amor e sabedoria,

Reta corrente em Unidade.

Quando vontade, serei astuta,

Perseverante e incisiva na luta

Que qual espada em fogo forjada,

Não quebre frente às duras pedras.

Cortando o que ao ideal não arremeda

Ser Dama a mim basta!

E se tal não for o meu Destino,

Que eu em meu Ser confie

E agora mesmo o transmute e recrie,

Pois qual o Sol firme no céu

Vou cumprir no mundo o papel.

De ser aquela que meu sonho clama,

E com todo o coração

Eu mulher, serei fiel.

A nobre missão de Dama!

 

– Caroline Pilz Pinnow

***

Dama negra 

 

Seus cavalheiros a aguardam

Mas em sua chegada, sua beleza ofuscam seus olhos

Sem perceber lá está ela

Bela, pura, forte e singela.

Demonstra sua perfeição,

Banhando mares e amores

Impera sua presença, sem licença

Bem vinda, oh Dama, oh noite.

Dama de vestes negras

Bordadas a mão, luzes de brilho eterno.

Cobre a Terra e aos Homens, com seu manto

A eles protege, presenteados pelo merecido descanso

Embala sonhos, e sono.

Paciente, é quem ouve com atenção,

As preces dos desafortunados,

É quem segura as lágrimas, e ouve os lamentos

dos que não são amados.

Minha mal lembrada Dama,

Como podem julga-la causa de infortúnios,

Temê-la, fazê-la irmã do mal.

Se apenas sob tua presença, a Lua revela-se

E as estrelas guiam os homens, que não sabem para onde vão

 Jennefer Irene Cassol

***

SOL DA PRIMAVERA

Cada vida que renova e brota

Sentiu no toque, a luz veraz

As membranas de gelo, que anseiam dividir

Supera e avança, abraça o sol e há

Inexplicável calor, agora em si

O fogo dentro expande mirando o alto

Chamado constante para à ele gerar espaço

Crescer sempre vertical é que lhe coube

Vence novas barreiras e à cada esticar

Mais compreende a importância de chegar lá

Mas já virão, mesmo na primavera,

Chuvas torrenciais, dias de vento

E a chama quente em eterno movimento

Vence e seca cada orvalho

Amanhece em si para receber o sol

E com essa força adquirida

Das provas que a tornou mais garrida,

Flexível relacionar com a trilha,

Sente que voa e espalha cor

Compartilha pólens, gera vida

Finda a estação, gentilmente seca

Paciência atingida na mais alta expansão

Compreende os ciclos e depura a visão:

Eterna ida e vinda das sementes que gera

E irão eclodir, ao mesmo sol da primavera

Rayanne Peres 

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