Selecionamos dois poemas de Kabir, mestre indiano do século XV, transmitidos oralmente e traduzidos para o inglês, por Rabindranath Tagore, e para o português, por José Tadeu Arantes.

[30]

Em certa árvore há um pássaro, que canta a alegria da vida.

Nos galhos mais escondidos, lá ele desce e descansa.

Chega ao cair o crepúsculo e parte ao erguer a aurora.

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Que pássaro é esse que canta dentro de mim?

Não tem forma nem cor, não tem contorno nem estofo.

Ele pousa na sombra do amor e repousa no inatingível.

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Kabir diz: Ó sadhu, meu irmão, guarda para ti este mistério.

E deixa que os sábios encontrem onde tal pássaro se oculta

[32]

Dança, meu coração! Dança hoje com alegria!

A canção imortal do amor preenche as horas,

E sua cadência faz dançar a noite e o dia.

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Dança! O que são vida e morte senão dança?

O que são terra e mar, planície e colina?

Ao som do riso ou do choro, o mundo dança.

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Por que vestir então o traje austero da renúncia,

E viver longe do mundo em solitário orgulho?

Dança com prazer e o Senhor dançará contigo.

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