Neste mês de Abril, às terças-feiras iremos publicar uma poesia de Florbela Espanca. Poetisa portuguesa, nasceu em Dezembro de 1894 e faleceu aos 36 anos de idade. Mais sobre a autora, leia aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Florbela_Espanca

Iniciamos com uma poesia em que a poetisa nos fala da beleza de sua terra natal.

O MEU ALENTEJO
Meio-dia: O sol a prumo cai ardente,
Dourando tudo. Ondeiam nos trigais
D’ouro fulvo, de leve… docemente…
As papoilas sangrentas, sensuais…

Andam asas no ar; e raparigas,
Flores desabrochadas em canteiros,
Mostram por entre o ouro das espigas
Os perfis delicados e trigueiros…

Tudo é tranquilo, e casto, e sonhador…
Olhando esta paisagem que é uma tela
De Deus, eu penso então: Onde há pintor,

Onde há artista de saber profundo,
Que possa imaginar coisa mais bela,
Mais delicada e linda neste mundo?!

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