(Rumi)

Como um espelho minh’alma revela segredos;
posso calar, não posso não saber.

Do corpo, tornei-me um foragido,
do espírito, um exilado;
juro que não sei:
a este não pertenço, nem àquele.

Para sentir o doce amora,
ó buscador, a condição é morrer.
Não me olhes como a um vivo,
um deles já não sou.

Esquece meu lado tortuoso
e contempla apenas a reta palavra:
sou como o arco
e meu verbo é a flecha.

O chapéu redondo na cabeça,
o manto dervixe sobre o corpo
são minha lápide e mortalha.
O que pareço?
Qual o meu preço no mercado do mundo?

Do jarro de vinho
emborcado no alto de minha cabeça,
não deixo que derrame uma só gota.
E ainda que goteje,
contempla apenas o poder de Deus:
a cada gota derramada, recolho pérolas do mar!

Meus olhos, como nuvens,
recolhem pérolas perfeitas.
E a nuvem de meu espírito
ascende ao céus dos que se entregam.

Faço-me chuva diante do Sol de Tabriz,
para que cresçam margaridas
com a forma da minha língua.

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