(Rumi)

Verte, ó saqi, o vinho do invisível.
Com este signo, com este nome,
falemos do que não tem signo nem nome.
Deixa-o jorrar em abundância,
que esse ato enriquece a alma;
embriaga-a, ajuda-a a alçar vôo.

Vem, derrama mais uma taça,
ensina aos saqis a arte do escanção,
Como fonte que transborda do coração da pedra,
rompe o jarro do corpo e da alma.
Faz a felicidade dos amantes do vinho
e a inquietude dos que só fruem o pão.

O pão é o artífice da prisão do corpo,
o vinho, a chuva que cai no jardim da alma.
Quanto a mim, uni os extremos
das águas que cobrem a terra;
cabe a ti alçar a tampa da ânfora do céu.

Fecha esses olhos que só vêem imperfeições
e abre aqueles que sabem contemplar o invisível,
que não se detêm diante das mesquitas, de ídolos,
pois os desconhecem por completo.

Silêncio!
É nesse silêncio que surge o tumulto
e faz calar nosso mundo inferior.

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