Poesia em Ilustrações

Nesta edição o Acrópole Poética compartilha um post diferente: belíssimas ilustrações da artista coreana Jungho Lee – seus desenhos traduzem, em sensíveis traços, versos de histórias e poemas que ficam por conta da imaginação:

 

Outono:

fall

Arca:

ark

Calla Lilies:

calla-lillies

Cosmos:

cosmos

Partida:

departure

Colheita:

harvest

Herança:

heritage

Imortal:

imortal

Silêncio Adentro:

into-silence

Introvertido:

introvert

Convite:

invitation

De Manhã:

morning

O Quarto da Filosofia:

room-of-philosophy

Verso:

verse

Viagem:

voyage

 

Fonte: http://www.boredpanda.com/surreal-illustrations-for-book-lovers-by-jungho-lee/

Dia Mundial da Filosofia – “Aos Que Sonham”

Em comemoração do Dia Mundial da Filosofia – instituído pela Unesco em Homenagem à morte do grande filósofo grego Sócrates, o Acrópole Poética compartilha um poema que muito expressa a Filosofia como forma de Sonhar e transformar um grande sonho em realidade.

O Dia Da Filosofia será comemorado em todo Brasil pela Escola de Filosofia Internacional Nova Acrópole, com o tema: “Convivência: como Somar num mundo em conflito”.

dia-mundial

Aos Que Sonham

de Raul de Leoni

 

Não se pode sonhar impunemente
Um grande sonho pelo mundo afora,
Porque o veneno humano não demora
Em corrompê-lo na íntima semente…

Olhando no alto a árvore excelente,
Que os frutos de ouro esplêndidos enflora,
O Sonhador não vê, e até ignora
A cilada rasteira da Serpente.

Queres sonhar? Defende-te em segredo.
E lembra, a cada instante e a cada dia,
O que sempre acontece e aconteceu:

Prometeu e o abutre no rochedo,
O calvário do filho de Maria
E a cicuta que Sócrates bebeu!

Concurso de Poesia | tema: “Vida” | Promovido por Nova Acrópole Brasil Norte

sem-titulo-1A promoção da Arte em suas diversas formas de expressão já faz parte do currículo de atividades de Nova Acrópole Brasil-N. A Poesia é uma das expressões artísticas desenvolvida há vários anos na instituição; através de oficinas e concursos internos, alunos e professores podem redescobrir a Poesia à Maneira Clássica, aprendendo que uma mensagem profunda e forma harmônica são tão importantes quanto rimas e métricas.

Compartilhamos no Acrópole Poética os 3 poemas vencedores do Concurso de Poesia “A Vida”, ocorrido em outubro, juntamente com os outros 9 poemas selecionados entre um total de 98 poemas escritos.

Nesta edição especial e INÉDITA, publicaremos os 12 poemas selecionados em Espanhol, para que membros de Nova Acrópole em mais de 55 países possam também desfrutar dos belíssimos versos a seguir:

 

Para conhecer e participar de nossas atividades, visite a agenda cultural de nossas 30 sedes em: http://www.acropole.org.br

 

Concurso de Poesia

OINAB-N

Tema: “Vida!”

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POEMAS EM PORTUGUÊS:

1º LUGAR

A LÓGICA DA VIDA                                   

Sempre esperei muito da vida:

Que me desse uma pátria, um mar, um chão,

Que me desse pão, aconchego e ainda

Que me desse amigos, família, união.

 

O que almejar, depois disso atendido?

Que me desse aventuras, conquistas, prazer,

Que me desse riqueza e poder desmedido,

Que me desse isso tudo sem nunca sofrer.

 

Seria feliz, mas algo faltava.

Que me desse a palavra, a vez e a razão,

Que me desse o destino de quem já caminhava,

Que nunca negasse qualquer condição.

 

Seria demais se eu ainda pedisse

Que me desse um pouco de paz,

Que soprasse uma brisa capaz  

De animar os meus dias vazios?

 

Se as manhãs sempre trazem orvalho

Até à mais rara flor do deserto

É certo que em mim não seria o contrário.

 

Ali onde muito barulho fazia

Há um ponto de luz solitário…

Onde encontro silêncio, amor, poesia.

 

Que emana calor, preenche um abraço,

Dá cores aos gestos, transmuta a agonia

Que mata a sede e tira o cansaço.

 

Dirão que tal ponto não pode existir

Afronta as leis do tempo e do espaço

Não nasce, não morre, não dá para partir.

 

Dos sábios é ela a lição preferida:

Alegria serena do simples servir

Assim me ensinou um mestre da vida.

 

Os fatos e os mitos revelam sua face  

Expressam a verdade nela contida:

Dê tudo de si, abandone os disfarces.

 

Se isso eu fizesse, tão leve seria…

Se além dos desejos minha alma cantasse

Sublime canção, eterna harmonia.

 

Flávia Fernandes – Sede Nacional

 ***

O Coração encontra a Vida

No relógio mais uma badalada,

Visão de devaneio

Cruza o espaço vazio, distante.

Surges em manso passeio.

Um delicado inclinar, quase tardio 

E teus olhos alinham-se aos meus.

A gentil procissão segue adiante.

 

Vê, estou ardendo em quietude,

Vê, as fronteiras se desfazem,

Vê, as Horas dançam livres,

Ignoram o Tempo,

Os limites não me alcançam,

O vazio é plenitude,

O momento, eternidade.

 

A cruenta cor que carrego é tua,

Com ela tinjo as curvas do caminho, 

O mundo inteiro se anima.

Das charnecas medram flores,

Mas quando tu fores,

Ainda hei de brilhar?

Invoco, então, nosso encontro.

 

Conclamo teu nome:

Vida! Vida! Senhora dos Presentes.

Não estás ausente,

Levo-te aqui dentro, no centro.

Sou todo entregue, jamais inerte.

E por isso, pulso.

E por isso, vejo.

E por isso, sou.

 

Servir-te e nada mais,

Assim, estou em paz.

Marluce Claudia Leite Silva – Guará

***

3º LUGAR: 

A VIDA, O UM E O TRÊS

Quando a Aurora acorda a Terra
E os cabelos de Apolo esvoaçam
O céu e o mar dão bom dia
um ao outro e se abraçam

Nesse eterno e fugaz instante
Um acordo é celebrado
Urano se curva humilde
E Netuno se eleva encantado

Se alguém observa atento
Da janela ou de um mirante
Verá um casal perfeito
E seu filho, o Horizonte.

E enquanto reina a luz
Brilham o filho e seus pais
Sem cuidar que os raios que emitem
Não lhes pertencem jamais…

Pois Cronos, senhor do tempo
Mistério que desconcerta
Decreta que o dia termine
E ordena: “Nix, desperta !”

Da mesma janela que antes
Se viam três seres em festa
Agora uma negra cortina
Aos olhos é tudo que resta !

Mas se a Lua falasse aos homens
O que dentro de si já não cabe
E se os homens quisessem pra si
Tudo o que Selene sabe

Ela nos ensinaria esta milenar verdade:

“O três fundiu-se em si mesmo
O múltiplo agora é unidade
Amanhã a Vida prossegue
E o Um volta a ser Trindade.”

 

                                                       Alice Andrade – Filial Recife

 ***

 

VIDA, VIDA!   

Vida, querida Vida!

Tens várias faces,

Sinuosos caminhos,

Palavras inaudíveis,

Que, silenciosas, germinam.                         

 

Teu Poder é absorvível

Por geométricos canais,

Que emergem da adversidade…

Da convivência…

Chaves que abrem os portais,

Corpo das Leis, Tua Verdade,

Que vela pela Unidade

Na intimidade do coração,

Palácio da compreensão.

 

Vida!

A simplicidade,

Envergadura da tua Beleza,

Não esmorece na longa luta:

De libertar da fuligem,

A tua divina origem.

 

Nos  teus impulsos,

És soberana, realeza…

Teu único anseio:

Transcender a “forma”, o obscuro,

Com fluidez, sem rigidez,

Cadeia indômita da insensatez.

Vida, tu cantas a Vida!

E queres estar presente,

Momento a momento.

A tua Glória é fazer:

Do amargo, sorver o mel,

Da bondade, o teu advento,

Da alegria, o teu carrossel,

Do entusiasmo, o teu êxtase,

Do Amor, a tua magia,

No santuário secreto

De todo ser vivente.

 

Vida, Vida!

És Harmonia, és cristalina,

Joia rara da Consciência!

 

 Alinalde – Sede Nacional

 

 ***

Pequenos Sóis, Fonte de Vida

Somos a pura luz do amor, pequenos sóis

Mistério, que tudo harmoniza e ilumina.

Grandes mães, somos na tempestade faróis.

Firmes fortalezas, a magia que anima.

 

Somos uma porção do divino no mundo

Insígnias da unidade, em glória revelada.

Doces canções de címbalos do amor profundo

Fonte que engendra vida e não pede nada.

 

Somos o amanhecer, que convoca o eleito,

A renascer, exaurindo a escuridão.

Alimentamos a missão oculta no peito

Vivificamos a nossa ancestral canção.

 

Canção da vida que fala de identidade!

Faz brilhar os olhos e aquece o coração

Recordamos ao homem, sua oculta verdade.

A melodia sagrada que é a sua missão.

 

Ave, Logos Solar!  Origem da vida!

Mistério oculto. És beleza revelada!

Princípio sagrado, que a nós sempre convida:

A ser fogo divino em tão nobre jornada.

 

Ana Cássia Batista – Anápolis

 

 *** 

VIDA

Vida: te vi partir do corpo daqueles que eu amava!

E meu Amor não pôde te reter…

E os seus corpos, diante de mim, se transformaram

Em recipientes vazios…

Para onde os levaste?

 

Habitavas os corpos de pessoas tão queridas

E meus sentimentos, que, por eles,

eram os mais puros, Vida!

Tão verdadeiros…

 

Confiei em Ti, ó Vida!

Certa de que eras Eterna!

Enxergava tua Essência através dos Véus…

O Cálice ficava, já velho e entorpecido

Tu o tomaste emprestado para expressar a tua mensagem e teu sentido…

Eterna beleza

Nas plantas, nas pedras, nas flores,

Em tudo, na Natureza.

E, enfim, no homem, tua criação mais nobre!

Todos fazem parte desse cenário e, em algum momento,

Perdem a máscara que os recobre

E retornam ao mistério que os criou!

Nós homens, porém, somos eternos inconformados

Pois não sabemos o que permanece depois da capa que de nós tomaste…

Quanto contraste!

 

Vida, que tudo entrega aos seus filhos,

sinto poder agora assistir sem temor

 a tudo que me mostras e mostraste.

Me deste a fortaleza, me moldaste no fogo, em seu ardor!

Quanto contraste!

 

Assisti ao movimento da Vida que tanto desvela e gera

Ao habitar os corpos das criaturas que amava!

Mas, quando cessa a primavera,

Tuas criaturas divinas deixam seus casulos e se vão…

Tenho a profunda certeza que a despedida é temporária,

Pois, em teu fluxo, todos se encontrarão

No Infinito dos Céus,

Expressão mais concreta da existência de Deus!

Enfim, parafraseando a estrofe preferida:

“Vida, nada me deves!

Vida, estamos em Paz.”

 

Andrea Ilha – Asa Sul

 

***

 

Boas vindas à Vida

  Vem! Entra e senta! Fica à vontade!

Preenche-me com tua essência, com tua Verdade,

relembra-me daquela inocência,

entrega-me teu encanto…

Investe em cada metro e em cada canto,

vívido acento,

a cada passo e a cada momento,

suave e veraz sentimento.

Visita-me!

Passeia e explora!

Anda pelos sete lados!

Vê o que tenho, agora!

Incita-me à ação,

ao ritmo marcado,

equilibrado pelo coração…

Purifica-me a consciência!

E, já no ponto mais elevado,

Vem e derrama teu Amor e tua Chama,

Chega e, com  tua Visão, me ilumina,

Entra e tua força comigo compartilha!

Fica à vontade: sou tua filha!

Vem, Vida! Entra e toma posse deste espaço que, por ti, existe! Mas, antes de sair, garante

que tu jamais te afastes daqui!

 

 

Bia Ourives – Lago Sul

 

 ***

 

Buscando a Vida

O temor da morte levou-me a buscar-te entre sombras,
E desesperadamente, tentava reter-te com aflição.
Qual criança ingênua que segura a água das ondas
E impotente, a sente escorrer por entre a mão…
Mas, como aceitar que o Amor pudesse acabar?
Como não sofrer ao aproximar-se a escuridão,
Se tantos corações inocentes te vi abandonar?

Então, busquei-te entre a mais viva natureza.
Sorria a cada nascer do sol e chorava ao entardecer.
Pois aparecias no botão que se abre em cor e beleza,
Mas o deixavas, como a todos, para perecer…
Eras tão efêmera na pureza de um infante
A ser-lhe roubada pelos anos num instante,
Como um sol que mais forte brilhava antes de evanescer.

Ó Vida, por que ao desejar-te ávida, em uma prece constante,
Me enviavas o mais terrível e indesejado visitante?
O espírito da morte vinha sempre a roubar-me belos tesouros,
A arrancar-me máscaras e a rasgar os véus que tão diligente eu tecia,
Seu rastro queimando a terra qual impiedoso inverno.
Mas vendo tudo que me levava, certo dia,
Percebi que a morte jamais tocava o tesouro interno.

Desenrolava-se diante mim um profundo mistério,
Enquanto algo era levado, algo permanecia.
E, se a morte levava apenas o que não era etéreo,
Evidenciava-se em suas ações um nobre critério,
Talvez, sem que o soubesse, ela me aproximasse de Ti
Enquanto com suas mãos famintas, dos apegos me despia.
Entrevendo sua intenção sutil já não mais resisti.

Então, resignada, por fim, a morte abracei.
E, assustada, senti que as asas da vida também me envolviam…
Quando com mão trêmula seu manto escuro retirei,
Veio com a surpresa, a preciosa lição aprendida.
Sob o véu da morte, estava a face radiante da Vida.
E como singela borboleta ergui-me, mais alta e mais forte,
Transmutada pela vida, ao abraçar a morte.

 

Luciana Mariz – João Pessoa

 

***

Magistras Vita

 

Vida, que esperas de mim?

 

És a quimera das perguntas que não alcanço,

Mapa de estradas pelas quase sempre me perco.

És o nó górdio que me ata em teu laço,

Flecha constante onde sou débil e não avanço.

 

Vida, que esperas de mim?

 

Um olhar vago pela dúvida que assola,

Um passo torpe para o abismo que me espera?

Um desespero ante a pressão que me degola,

Cair em pranto mudo ou em prece que libera?

 

Vida, que me pedes?

 

Não tenho nada, e o que tenho, se dissolve,

palco de areia: ora me apoia,  ora me engana.

Plateia ilusória, aplaude o que não danço,

Máscara frágil, que não alcança ser humana…

 

Vida, que me pedes?

 

Pouco me resta após a queda e a tempestade,

Uma migalha, talvez, de um sonho distante,

que, do acaso, fugiu por eternidades…

Um grão por trás de um véu fugaz e agonizante.

 

Vida, que me ensinas?

Talvez a mais ignorante aprendiz,

Em minhas mãos, a mesma prova se repete

Errando por plantios e colheitas tristes,

Nenhum ensinamento a salvar do Letes.

 

Vida, o que me ensinas?

 

Se és Magistras a me conduzir…

Intuo-te saga e, tantas vezes, és só sina.. És tu

Astrolábio para distâncias das estrelas dirimir?

Mas é imenso o espaço para o olho nu.

 

Vida, para onde me levas? 

 

Em teu alforje ígneo, eu sigo.

Do caminho, vejo apenas um vislumbre,

Do destino, vejo uma luz remota.

Mas tua rota e tua voz caminham comigo. 

 

Vida, para onde me levas? 

 

Qual porto aguarda, vês se já estamos chegando?

Sei que tu levas o meu coração aonde a minha veia e a minha visão não alcançou. 

Não sei se em ondas ou em pedras vou passando,

Nem sei até quando,

Mas já percebo: a jornada começou. 

 

Mariana Cerveira  – Teresina

 

***

Elogio à Vida

 

Suave indiferença,

Despertar para o presente,

Ressuscitar a cada dia

 

Flor de Ouro, 

Caminho Perfeito

Por que resistimos? 

Nos detemos ante seu brilho?

 

Medo da dor?

O que dizer desta que agora

Prisioneira dos efeitos, 

 Já nos habita, cravada no peito?

 

Oh mente, lança tuas velas 

Naveguemos no azul, ao vento, 

Rompe o cárcere, as celas

Encontra em si teu alento!

Permita que o desejo,

incauto, que criastes,  

Doe sua potência à liberdade,

De quem sentes saudade

 

Deixa que flua, a vida avança,

do universo, é a dança

a tudo move, consciente

desde o centro, sem mover-se

 

O sol, por amor, a sintetiza

Entrega-se, para arder como canal

Janela do espírito, a todos fita

Recita teu canto imortal

 

Eterno convite para despertar

Ouvir o sagrado que somos

A voz, para além do bramir,

O sopro da lei em silêncio

 

 

Potência ígnea, serpente

Do fogo, semente

Agente, da grande arte!

De converter em Um o que jaz na parte!

 

Elevo-me, desde o  pequeno eu, 

e só assim te escuto, no sagrado agora!

Pois só no límpido branco, o mistério tinge

As cores da aurora!

 

E assim se revela, natural

No sublime matiz do contraste, 

algo da verdade, desde o mar, recordação antiga, 

Desperta-te para  o que és! 

Sublime gota, da Vida indivisa!

 

 Rafaela Serôa da Motta

Nova Acrópole Brasília – Lago Norte

*** 

 

Alma Lavada

 As chuvas que acariciam o pasto

trazem consigo nova vida, e plena.

Limpam do ar o vento cálido e gasto

e tornam bela e verdejante a cena.

 

Tudo brilha e o sorriso é constante

na paisagem que reluz em novo estado.

As cores são mais vivas no instante

em que o sol de novo brilha no molhado.

 

O frescor da renovada correnteza

sacia a fauna que se faz contente.

Da brisa a melodia de beleza

ressoa e faz brotar outra semente.

 Do céu o pranto não traz amargura,

antes um doce alívio e gratidão,

pois é gesto de amor em água pura

e dos Deuses generosa redenção.

 

Bela chuva, como graça cai rompendo

o seco solo com água sagrada.

Ao senti-la em meu rosto enfim entendo

a sensação de ter a alma lavada.

 

Raquel Mendes – Sede Nacional

 ***

 

VIDA…

                                  

Não é tristeza,

É grandeza permanente,

É Natureza, música constante,

Do raiar do dia à semente.

 

É despertar aos cânticos dos sabiás…

Acariciar a paisagem, mesmo sem entendê-la,

Contemplar, no céu noturno,

Avalanches de estrelas.

 

É apreciar os insetos, aparentemente agressores,

Mirar o verde das árvores podadas

Recobertas de flores.

 

Recorda que a vida não te oprime,

Te liberta dos obstáculos do dia,

Te renasce sublime.

 

Vida! …  é luz eterna,

Te conduz em busca de apogeus,

Na presença de Deus.

 

Sueli  Vieira – Sede Nacional

 

 

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 POEMAS  EN ESPAÑOL:

LA VIDA, EL UNO Y EL TRES

Cuando la Aurora despierta la Tierra

Y Apollo ve a sus cabellos aletearse

El cielo y el mar se dicen buenos días

uno al outro y se vienen a abrazarse

En este fugaz instante

Un pacto es celebrado

Urano se doblega humilde

Y Neptuno se eleva encantado

Si alguien observa atento

Desde la ventana o de un mirador

Va a ver una pareja perfecta

Y su hijo, el Horizonte

Y, mientras reina la Luz

Brilla el hijo y sus papás

Sin percibir que los rayos que emiten

No les pertenecen jamás

Pues Cronos, el señor del tiempo

Misterio que desconcierta

Decreta que el día termine

Y ordena: “Nix, despierta!”

Desde la misma ventana que antes

Se veían tres seres en fiesta

Ahora una negra cortina

A los ojos, es todo lo que resta

Pero si la Luna hablara a los hombres

Lo que de por sí ya no cabe

Y si los hombres quisieron para si

Todo lo que Selene sabe

Ella nos enseñaría a nosotros esta milenaria verdad:

“El tres se fusionó en si mismo

El múltiple ahora es unidad

Mañana la Vida prosigue

Y el Uno vuele a ser Trinidad

Alice Andrade – Nueva Acrópolis Recife

 ***

VIDA, VIDA!

 

Vida, querida Vida!

Tiene várias caras,

serpenteantes caminos,

Palabras inaudibles,

Que, en silencio, germinan.

Tu poder es absorbible

Por geométricos canales,

Que emergen de la adversidad…

De la convivencia…

llaves que abren los portales,

Cuerpo de las Leyes, Tu verdad,

Que vela por la unidad

En la intimidad del corazón,

Palacio de la comprensión.

Vida!

La sencillez,

Envergadura de tu belleza,

No se desvanece en la larga lucha:

De liberar del hollín,

Tu origen divina.

En tus ímpetus,

Es soberana, realeza…

Tu sólo añelo:

Trascender “la forma”, el obscuro,

Con fluidez, sin rigidez,

Cadena indómita de la insensatez.

Vida, tu cantas la Vida!

Y quiere estar presente.

Momento a momento,

Tu gloria es hacer:

De lo amargo, sorber la miel,

De la bondad, su advento,

De la alegría, tu carrussel,

Del entusiasmo, tu éxtasis,

Del amor, tu magia,

En el santuario secreto

De todo ser vivente.

Vida, Vida!

Es armonía, es cristalina,

Joya rara de la conciencia!

Alinalde Silva  – Nueva Acropolis Sede Nacional

 

***

PEQUEÑOS SOLES, FUENTE DE VIDA

Somos la pura luz del amor, pequeños soles

Misterio, que a todo armoniza e ilumina.

Grandes madres, somos en la tormenta, el faro.

Firmes fortalezas, la magia que anima.

Somos una porción del divino en el mundo

Insignias de la unidad, en gloria revelada.

Dulces canciones de címbalos del amor profundo

Fuente que engendra vida y no pide nada.

Somos el amanecer, que convoca el elegido,

A renacer, agotando la oscuridad.

Alimentamos la misión oculta en el pecho

Vivificamos nuestra canción ancestral.

¡Canción de la vida que habla de identidad!

Hace brillar los ojos y calentar el corazón

Recordamos al hombre, su oculta verdad.

La melodía sagrada es su misión.

¡Ave, Logo Solar! ¡Origen de la vida!

Misterio oculto. ¡Eres beleza revelada!

Principio sagrado, que a nosotros siempre invita:

A ser fuego divino en tan noble jornada.

Ana Cássia Batista – Nueva Acropolis Anápolis

***

VIDA 

Vida: ¡Te vi desde el cuerpo de aquellos que me encantó!

Y mi amor no se podía mantener…

Y sus cuerpos, antes que yo, se han convertido

En los envases vacíos…

¿Dónde los ha llevado?

Habitabas los cuerpos de personas tan queridas

Y mis sentimientos que, por ellos

Eran los más puros, ¡Vida!

Tan verdaderos…

Yo confiaba en Ti, ¡Oh Vida!

¡Segura de que era Eterna!

Vi su esencia a través de los Velos…

La Taza ya estaba vieja y entumecida

Has tomado prestada para expresar su mensaje y su sentido…

Eterna belleza

En las plantas, las piedras, las flores,

En total, en la naturaleza.

Y, por último, en el hombre, ¡Su creación más noble!

Todos son parte de este escenario y, en algún momento,

Pierden las máscaras que los cubren

¡Y vuelven al misterio que los ha creado!

Nosotros, los hombres, sin embargo, somos eternos insatisfechos

No sabemos lo que queda a nosotros después que nuestra capa nos eres tomada…

¡Cuánto contraste!

La vida, toda entregada a sus hijos,

Ahora puedo ver sin miedo

A todo que me ha mostrado y que me muestras.

¡Me dio la fuerza, me moldaste con fuego en su ardor!

¡Cuánto contraste!

Vi el movimiento de la vida que tanto revela y genera

¡Para habitar los cuerpos de los seres que amaba!

Pero cuando se deja a la primavera,

Sus criaturas divinas salen de sus capullos y se van…

Estoy muy seguro de que la separación es sólo temporal,

Porque en su corriente, todos se reunirán

En el infinito del cielo,

¡Expresión más concreta de la existencia de Dios!

En resumen, parafraseando un verso favorito:

“¡Vida, no me debes nada!

Vida, estamos en Paz”.

 

Andrea Ilha – Nueva Acropolis Asa Sul

 ***

UNA BIENVENIDA A LA VIDA

 

¡Ven! ¡Siéntate! ¡Acomódate!

¡Lléname com tu esencia, com tu Verdad,

hazme recordar  aquella inocencia,

entrégame tu encanto…

Invierte em cada metro, em cada Rincón,

Vívido acento,

en cada paso y en cada momento,

suave y veraz sentimiento.

Visítame!

Haz tu paseo… explora!

Camina por los siete lados!

Ve lo que tengo ahora!

Incítame a la acción,

el ritmo marcado,

equilibrado por el corazón…

Purifícame la conciencia!

Y, cuando esté en el punto más elevado,

Ven y vierta tu Amor y tu Llama,

Llega y, con tu Visión, alúmbrame,

Entra y comparte tu fuerza conmigo!

Acomódate: soy tu hija!

Ven, Vida! Entra y aduéñate de este espacio que por ti existe!

Pero, antes de salir, asegúrame

Que jamás te alejarás de aquí! 

 

Bia Ourives – Filial Lago Sul

 ***

LA LÓGICA DE LA VIDA

 

Siempre he esperado mucho de la vida:

Que me diera una patria, un mar, un suelo,

Que me diera pan, que me cobijara y además

Que me diera amigos, familia, unión.

¿Que más anhelar después de esto atendido?

Que me diera aventuras, conquistas, placer

Que me diera riquezas y poder desmedido,

Que me diera todo esto, sin nada sufrir

Sería feliz, pero algo faltaba

Que me diera la palabra, la vez y la razón,

Que me diera el destino de quien ya caminaba

Que jamás me negase cualquier condición.

Sería demasiado si yo aún lo pidiera

Que me diera un poquito de paz,

¿Que soplara una brisa capaz

de alumbrar mis días vacíos?

Si las mañanas siempre traen el rocío

Hasta la más rara flor del desierto

Seguro que para mí no lo haría al revés

Allí, donde mucho ruido se hacía

Hay un punto de luz solitario

Donde puedo encontrar el silencio, el amor, la poesía.

Que emana calor, llena un abrazo,

Da colores a los gestos, trasmuta la agonía

Que calma la sed y le quita el cansancio

Uno dirá que tal punto no puede existir

Afronta las leyes del tiempo y del espacio

No nace, no muere, no puede partir.

De los sabios es ella la lección preferida:

Alegría serena del simple servir

Así me ha enseñado un maestro de la vida.

Los hechos y los mitos desvelan su faz

Expresan la verdad en ella contenida:

De todo de sí, abandona los disfraces.

Si esto yo lo  hiciera, tan liviano sería

Si para allá de los deseos mi alma cantase

Sublime canción, eterna armonía

 

 

Flavia Fernandes –  Nueva Acropolis Sede Nacional

***

BUSCANDO LA VIDA

El miedo a  la muerte me llevó a buscarte entre las sombras,

y desesperadamente, intentaba retenerte con aflicción.

Como niña ingenua que agarra el agua de las olas
e impotente, la siente escurrirse por entre sus manos…

Pero, ¿cómo aceptar que el Amor pudiera acabar?

¿Cómo no sufrir al acercarme a la oscuridad,

si tantos corazones inocentes te vi abandonar?

Entonces, te busqué entre la más viva naturaleza.

Sonreía a cada salida del sol y lloraba al atardecer.

Aparecías en el capullo que se abre en color y belleza,

Pero lo abandonabas, como a todos, para perecer…

Eras tan efímera en la pureza de un infante

del cuál será robada por los años en un instante,

como un sol que brilla más fuerte antes de desvanecerse.

Oh Vida, ¿por qué al desearte ávidamente, en un ruego constante,

me enviabas al más terrible e indeseado visitante?

El espíritu de la muerte venía siempre a robarme los bellos tesoros,

a arrancarme las máscaras y romperme los velos que tan diligente tejía

Sus huellas quemaban la tierra como el impiedoso invierno.

Pero al ver todo lo que me llevó, un día,

Observé que la muerte nunca había tocado el tesoro interno..

se desarrollaba ante mí un profundo misterio,

Si bien se llevó algo, algo se mantenía.

Y si la muerte sólo tomó lo que no era etéreo,

Era evidente en sus acciones un noble criterio,

Tal vez, sin saberlo, ella me acercó a Ti

Mientras que con sus manos hambrientas, de los apegos me deshacía.

Vislumbrando su sutil intención ya no pude resistir.

Luego, resignada, por fin, la muerte abracé.

Asustada, sentí que las alas de la vida también me envolvían …

Cuando con mano temblorosa su capa oscura retiré,

Vino con sorpresa, la preciosa lección aprendida.

Bajo el velo de la muerte, estaba la cara radiante de la Vida.

Como singular mariposa me alcé, más alta y más fuerte,

Trasmutada por la vida, al abrazar la muerte.

Luciana Mariz –  Nueva Acropolis João Pessoa

***

MAGISTRAS VITA

Vida, ¿qué esperas de mí?

Eres la quimera de las preguntas que no alcanzo,

Mapa de senderos por donde casi siempre me pierdo.

Eres el nudo gordiano que me ata en tu lazo,

Flecha constante donde soy débil y no avanzo.

Vida, ¿qué esperas de mí?

¿Una mirada vaga por la duda que asola,

un paso torpe hacia el abismo que me espera?

¿Una desesperación ante la presión que me degolla,

Un caer en llanto mudo o en oración que libera?

Vida, ¿qué me pides?

No tengo nada, y lo que tengo, se disuelve,

Escenario de arena: ora me apoya, ora me engaña.

Platea ilusoria, aplaude lo que no bailo,

Máscara frágil, que no alcanza ser humana…

Vida, ¿qué me pides?

Poco me queda después de la caída y la tempestad,

Una miga, talvez, de un sueño distante,

que, al azar, huyó por eternidades…

Un grano por detrás de un velo fugaz y agobiante

Vida, ¿qué me enseñas?

Talvez la más ignorante aprendiz,

En mis manos, la misma prueba se repite

Callejeando por plantíos y cosechas tristes,

Ninguna enseñanza a salvar del Lete.

Vida, ¿qué me enseñas?

Si eres Magistras a conducirme…

Te intuyo saga y, tantas veces, eres solo sino… Eres tú

Astrolabio para distancias de las estrellas dirimir?

Pero es gigante el espacio a simple vista.

Vida, ¿para dónde me llevas?

En tu alforja ígnea, yo sigo.

Del camino, veo solo un vislumbre,

Del destino, veo una luz lejana.

Pero tu ruta y tu voz caminan conmigo.

Vida, ¿para dónde me llevas?

Cual puerto esperas, ¿ya ves si estamos llegando?

Sé que tu llevas mi corazón adonde

mi vena y mi visión no alcanzó.

No sé si en olas o en piedras me voy pasando,

Ni sé hasta cuando, pero ya intuyo: la jornada empezó.

Mariana Cerveira – Nueva Acropolis Teresina

***

El Corazón encuentra la Vida

 En el reloj, una campanada más -( estou averiguando esta expressão)

Visión de devaneo

Cruza el espacio vacío, distante.

Surges en paseo manso.

Un delicado inclinarse, casi tardío

Y tus ojos a los míos se alinean .

La gentil procesión sigue adelante.

Ve, estoy ardiendo en quietud

Ve, las fronteras se deshacen,

Ve, las Horas bailan libres,

Ignoran el Tiempo,

Los límites no me alcanzan,

El vacío es plenitud,

El momento, eternidad.

El cruento color que cargo es tuyo,

Con él, tiño las curvas del camino,

El mundo entero se anima.

De las charnecas medran flores,

Pero cuando te vayas,

?Aún luciré?

Convoco entonces, nuestro encuentro.

Invoco tu nombre:

!Vida! !Vida! Señora de los Presentes.

No estás ausente,

Te llevo acá, adentro, en  el centro.

Soy todo entregue, jamás inerte.

Y por eso, pulso,

Y por eso, veo,

Y por eso, soy.

Servirte y nada más.

Así, estoy en paz.

Marluce Claudia – Nueva Acropolis Guará

 

 ***

ELOGIO A LA VIDA

Placentera armonía

Suave indiferencia,

Despertar para el presente,

Resurgir a cada día

Flor de Oro,

Sendero Perfecto

¿Por qué desistimos?

¿Nos detenemos ante su brillo?

¿Miedo al dolor?

¿Qué decir del dolor que ahora

Prisionero de los efectos,

Ya habita en nosotros, clavada en el pecho?

¡Oh mente! ¡lanza tus velas!

Naveguemos en el azul, al viento,

¡Rompe la cárcel, las celdas!

¡Encuentra en ti tu aliento!

Permite que el deseo,

incauto, que criaste,

Done su potencia a la libertad

De quienes tu añoras de verdad

Dejad que fluya, la vida avanza,

del universo es la danza

a todo lo mueve, consciente

desde el centro, sin moverse

El sol, por amor, la sintetiza

Se entrega, para arder como canal,

Ventana del espíritu, a todos los mira

Recita tu canto inmortal

Eterno llamado a despertar

Oír el sagrado que somos

La voz, para allá del bramido

El soplo de la ley en silencio

Potencia ígnea, serpiente

Del fuego, semilla

¡Agente, del gran arte

De convertir en Uno lo que yace en la parte!

Yo me elevo, desde mi pequeño yo,

¡y solo así te escucho, en el sagrado, ahora!

Pues solo en el límpido blanco, el misterio tiñe

Los colores de la aurora

Y así se revela, natural

En el sutil matiz del contraste,

algo de la verdad, desde el mar, recordación antigua,

“Te despierta para lo que es:

¡Sublime gota, de la Vida indivisa!”

Rafaela Serôa da Motta – Nueva Acropolis Sede Nacional

***

DEL ALMA LAVADO         

La lluvia que caricia el pasto

Tracen junto nueva vida, y plena.

limpian del aire el viento cálido y gasto

Y vuelven bella y verde la escena.

Todo brilla y la sonrisa es constante

en  la paisaje reluciente en  nuevo estado.

los colores son más vivos en el instante

En el que el sol de nuevo brilla en el mojado

la frescura de la renovada corriente

Sacia la fauna que se hace contente.

de la brisa la melodia de belleza

Resona y hace brotar otra semilla.

Del cielo el llanto no trae amargura

sino um dulce alivio y gratitud

por ser gesto de amor en água pura

Y de los dioses generosa redención.

Bella lluvia, graciosa cae rompiendo

El seco suelo con água sagrada

em sentirla em mi cara entiendo

La sensación de tener el alma lavado.

 

Raquel Mendes – Sede Nacional

***

VIDA…

No es tristeza…
Es grandeza permanente
Es naturaleza. Musica, de las musas hija
Desde lo despertar del día a la semilla
Es despertarse com los cantos de los pajaros
Cariciar la paisaje, mismo sin comprenderla
Contemplar,  el cielo nocturno
Avalancha de estrellas
Es mirar los insectos, aparentemente delincuentes
Disfrutar lo verde de los álboles podados
De nuevo cubiertos de flores fragantes
Recorda que la vida no te oprimes
Libertate de los obstáculos de lo día
Renascete sublime.
Vida! … es luz eterna, Vida!
Te conduce en la búsqueta de apogeos,
En la presencia de Dio

Sueli  Vieira – Nueva Acrópolis Sede Nacional

 

 

 

 

 

 

 

 

Concurso de Poesia “Letras da Primavera” 2016

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Todos os anos, para celebrar a primavera e aproveitá-la como inspiração poética, a Nova Acrópole Brasil-Norte realiza entre seus membros o concurso “Letras da Primavera”, prestigiando o melhor da composição poética realizada em Oficinas de Poesia em diversas escolas de várias cidades.

Nesta edição, foram selecionados 16 poemas, dos quais foram condecorados 3 vencedores – considerando técnica, forma, mensagem, profundidade e harmonia. Tais requisitos são princípios da Poesia à Maneira Clássica, ou seja, a poesia como porta voz das mais profundas e belas reflexões humanas e não apenas formas e rimas vazias.

Para conhecer mais sobre o trabalho de cultivo da Arte em Nova Acrópole e participar de nossas atividades, procure a Sede mais perto de você em: http://www.acropole.org.br

 

***

1º LUGAR

 

NINHO DE AMOR

 

O vôo que parte, p´ra longe o leva,

Em cores o leva, em cinzas me deixa.

O vôo que parte, inteiro o leva, em partes me deixa.

 

Ah… difícil é deixar voar, desapegar…

Ninho vazio, sem mais abraço, fica sem ar…

 

Mas, de repente, felicidade!

No céu se faz, em vôo alado, em Luz radiante,

a curva ousada da Liberdade!

 

E do Amor, a força vem! E da Esperança, tudo renasce!

O Amor que eclode nada deseja, tudo liberta, tudo interage!

Ergue o que fica, livra o que parte, rompe o apego, traz liberdade!

 

Nobre missão poder gerar, poder guiar, poder doar.

Em tudo estar, sem desejar, p´ra libertar!

Como gaivotas, aos céus levar, e lá soltar filhos alados,

que não sabiam poder voar!

 

E o que solta em desapego, sereno fica.

No coração, plena Harmonia; na consciência, plasticidade.

Nós que se rompem, asas que batem;

Seres que sobem rumo à Verdade!

 

Nobre missão, saber soltar, desapegar!

Romper o laço, abrir o abraço, deixar voar!

 

Ninho de Amor, de Luz se enche

A cada partida, a cada chegada;

Em desapego, sabe ser porto de decolagem

E, sempre, porto de aterrisagem!

 

Filhos amados, movam suas asas,

Soltem seus laços, subam mais alto!

Q` outros os sigam rumo ao Mistério, rumo ao Portal,

Sublime vôo, em espiral.

Q`  Amor e Luz, plena Harmonia,

Abram o Caminho ao Ideal!

 

Maria de Fátima Alencar Fernandes D´Assunção

Nova Acrópole – Natal-RN

 

***

 

2º LUGAR

O Velho Harmonista

 

Já não ouço mais os cânticos da aurora.

Os canoros assovios do amanhecer.

Onde está minha orquestra agora?

O dilúculo me faz ensurdecer!

 

Já não vejo o brilho cristalino dos orvalhos,

O banho matutino das folhagens,

Foi-se a densa nébula dos carvalhos.

Só me restam faúlhas, poeiras e miragens.

 

Donde estás óh Musa? Eu perdi tua sintonia!

O meu coração não pulsa, reverbera a cizânia.

Tu és a minha Arte. És Toda e em cada parte.

 

És o cântico, persistente, entre a pedra e o rio.

O passo arrastado das velhas, ao entardecer.

O garoto, que ao se atrapalhar, também sorriu.

A tardívaga despedida, de um barco a esmorecer.

 

Em Ti, encontro a síntese, o contraste do agora.

O múltiplo se torna uno, se recria  por oposição.

Não há tempo, nem lugar. O dentro está lá fora.

Qual a ponte que me cabe, é pertencer à sua União.

 

Aqui estás óh Musa! Eis a minha Arte!

És meu coração que pulsa e se orquestra no Universo,

Encontrei-a Harmonia! Sou todo, e não mais parte.

 

Igor Alcântara

NOVA ACRÓPOLE – BRASÍLIA – LAGO NORTE

 

***

 

3º LUGAR

 

Das rosas

 

Vem… mas vem com calma,

Devagar…

Sinta no ar o aroma das pétalas,

Mas não ouse arrancá-las.

Entenda que rosas são livres,

Guarda seu perfume na alma.

Se a beleza te inebria!

Espera…

Tal qual a semente no invólucro da terra.

Não tenha pressa em tomar-lhe em mãos,

Acalma os ímpetos de beleza e perfeição,

Cative-a, sem aprisionar sua grandeza,

Cultive-a, respeitando sua natureza.

Observe…

As rosas têm caules longos,

E guardam espinhos em suas vestes,

Ao arrancá-las poderá ferir-se,

Ao machuca-las, poderá perdê-las.

Em frente a ela, dançam beija-flores e borboletas…

De forma afável beijam-lhe a face,

Pousam em suas pétalas, provam-lhe o néctar,

São suaves e gentis tal a rosa que os desperta.

Já vistes como se abrem ao sol?

Com tamanha intensidade e sutileza,

Como resistem as forças do vento,

E transformam fragilidade em fortaleza?

Despedaçadas ainda nutrem a vida,

Cumprem seu ciclo na terra,

E quando morrem deixam cair sementes,

Semeando futuras primaveras.

Ahh, as rosas…

quem dera pudesse eternizá-las…

Pudera jamais perdê-las…

Guardar seu perfume em frascos,

Capturar em palavras, a poesia contida em sua delicadeza.

Mas Deus em genialidade,

as fez perenes enquanto beleza,

para que em terra fizessem passagem,

mas florescessem eternas na alma de quem as contempla.

Caroline Pilz Pinnow

Nova Acrópole Cuiabá

 

 

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DEMAIS POEMAS CLASSIFICADOS

 

A alegria do Filósofo

 

Quem disse que o filósofo

 deve ser sisudo, mal humorado?

A alegria do reencontro com o ser

Permeia cada palavra e gesto seu.

 

Nem sempre será compreendido,

Pode ser mesmo que o tomem como louco, desarrazoado.

 

O que importa é seguir seu caminho,

Alegremente, a sorrir para todos,

S rir da vida e de seu karma

Que, afinal, ele mesmo criou.

 

Cantando, dançando ele segue

Entre figuras sem riso nem vida.

Pois a lida não é fácil, 

Mas ele pinta o arco-íres no chão!

 

Aglaia Souza

NOVA ACRÓPOLE – TAGUATINGA-DF

 

***

 

AMOR – Franklin Moreno

 

Arma pacífica que vence a guerra.

âmago vital que celebra o surgir.

Ponte que une e converge o porvir.

E gera a vontade de sempre servir.

 

Aurora do tempo

que na eternidade se encerra.

União que nada segrega, tudo espera.

Polaridade positiva

que vibra no ritmo da vida.

Da morte, recupera o nascer.

Solidária verdade

que nos motiva a crescer.

ânimo de justiça

que faculta o aprender.

 

Promessas de noivos, amantes e esposos:

De um amor humano,

amar-te até a morte.

Vem de nossos corações,

invade o nosso corpo,

alcança a nossa alma.

Refletindo bondade

que expõe a beleza,

traduzindo a justiça,

fidelidade e verdade.

 

Realidade para deuses, avatares e iniciados:

Do amor divino,

amor que vence a morte.

Ensinando a ser forte

Não depende da sorte.

É o filo que buscamos,

Sofia que já somos

Atravessando o Cosmos

Transcendendo Cronos

nos unindo ao uno.

 

Franklin Moreno

NOVA ACRÓPOLE LAGO NORTE – BRASÍLIA

 

***

 

A FALA DA ALMA

 

Hora de despertar.

Acordar, agora, não é mais suficiente.

Ao abrir teus olhos

Abra também a visão consciente,

Abra mão de tudo o que não te pertence.

 

Ao te levantares,

Erga também tua vontade,

Procura a parte mais elevada

Dentro da tua capacidade.

 

Quando te vestires

Pensa bem na vestimenta

Esta deve ser como reflexo

De beleza e harmonia interna

Que por externo se contempla.

 

Deseja que tuas palavras

Estejam sempre em harmonia

Conjunto de tom, síntese e poesia

Que faz das partes um belo “Todo”.
Agora vai, segue teu destino

Porém não deixes de enxergar

A real trilha, sutil e verdadeira

Que hoje se abre certeira

Quando te propões a caminhar.

 

Porque continuas a parar, confusa,

Nos primeiros tropeços de pedras pequenas?

Quando me escutas, não tens dúvidas,

 

Então segue! ainda que não me vejas.
E quando retornares

Pensa na tua vivência, calada.

Reflete, sobre tudo o que aprendeste,

Se em tuas ações a consciência puseste

Se fora proveitosa a caminhada.

 

Mas não te deitas, ainda

Posto que deves antes mirar as estrelas,

Nelas, identifica a tua própria

Saibas que é lá onde a jornada termina.

 

Agora vem.

Aquece teu frio corpo temporal

Na chama de minha pequena eternidade.

Esquece de vez tua mente e astral

Para banhar-te em silenciosa plenitude.

 

No silêncio de teu ser

Reina minha voz contundente

Contempla agora teu verdadeiro Eu

Que vive futuro, passado e presente

Sempre em seu total apogeu,

Da forma mais bela, puro como o alvorecer.

 

Pois, sou o tudo e sou o nada

Em mim encontrarás a única resposta.

Convém manter aberta esta porta,

Mesmo que apenas uma fresta

E verás, ainda que uma leve nuance

Tua essência imortal, ao teu pleno alcance.

 

Giulia Macêdo.

NOVA ACRÓPOLE – NATAL-RN

 

***

 

CONTEMPLAR

 

 

A pipa, na linha e o menino

Veem o azul tomar conta do Céu

A Vida da pipa está no carretel

Que o garoto libera com afinco

Ao contemplar com Ele Eu também brinco

Tendo mais Vida do qu’Eu imaginava

 

Árvores que perseguem o Céu

Folhas que se entregam ao vento

Os frutos que se fazem alimento

Chegam aos olhos em forma de Luz

Contemplando o que a Alma conduz

Se desfazem da face, os Véus

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tarde ao fim e o Sol no poente

O céu cor laranja, nuvens em brasa

Aves viajantes, silhuetas das asas

Batendo o impulso que leva adiante

No azul vejo a Lua em sua Minguante

Pois onde o Sol brilha ela também está presente

 

Contemplando a Nós mesmos, há um Universo

Tamanha potência vamos descobrir

A Vontade que a planta tem em florir

Em mesma medida há em Nós também

Vivendo a Ideia de se viver o Bem

A Vida acontece em forma de versos

 

JAMES MORAIS

NOVA ACRÓPOLE GOIÂNIA – SETOR UNIVERSITÁRIO

 

***

Da Primavera á flor de Lótus

 

Ela traz consigo

A beleza de um novo ciclo

Flores, sonhos e sorrisos

 

Clama por alimento á alma

E sussurra aos ouvidos

“Vá, transcenda aos teus sentidos!”

 

Como uma dama, com toda delicadeza

Relembra-nos quem somos

Com sua sutil beleza

 

Soprando a brisa da manhã

Convidando-nos a dançar

A harmoniosa dança…Se integrar!

 

E tudo do Céu à Terra

Vai fazendo parte

Do espírito, da alma, e da matéria

 

Onde as ilusórias partes

Por um instante são transformadas

Na perfeita Unidade

 

Então, da lama vai surgindo

Na superfície florindo,

Como o Lótus,  o novo discípulo!

 

Jennyfer Arantes Silveira

NOVA ACRÓPOLE RIO VERDE-GO

 

***

MESTRE

 

Mestre,
Se posso caminhar é pois
mostraste-me o chão,
Se posso abrir os olhos é
pois abriste meu coração,
Se posso eu amar é pois
em teu colo lavei o mal
e aprendi que nada me
destes só para mim, mas
para que dê a meus irmãos.
E mesmo que pareça que
brigam os gafanhotos e as
formigas , um oferece sua
Vida ao outro para ligar
o que está acima ao que
está abaixo, como ofereceste
tua Vida à meu coração.

 

Kamirã Barbosa

NOVA ACRÓPOLE ÁGUAS CLARAS-DF

 

***

Entre flores

 

Ainda há os leitores,

Aqueles que apenas sabem,

Que livros são lindas flores,

Flores que aos olhos ardem.

 

Ainda há os leitores,

Que têm imaginação,

Que são como pensadores,

De uma perdida razão.

 

Ainda há os leitores,

Os que lêem as almas,

Profundos conhecedores,

De amores e traumas.

 

O amor de amadores,

Os amores que não cabem,

Os amores que se perdem.

 

                                               Kauanna Ester

NOVA ACRÓPOLE LAGO NORTE-BRASÍLIA

 

***

 

À Vida

 

Vida, eis a beleza

Que ainda não podemos ver

Eis um presente divino

Que não conseguimos compreender

 

Teus caminhos às vezes

Podem parecer tenebrosos,

Mas são teus meios de nos fortalecer

 

Os planos que fazemos para ti

Não são os mesmos que fazes para nós

Ainda bem que é assim,

Pois sabes o melhor para mim

Mesmo que seja difícil de perceber

 

Todas as tempestades

Que nos fazes passar

São pretextos

Para um reflorescimento

Cada vez mais belo

 

E diante desse teu mistério,

O que nos cabe é manter a cabeça erguida

E aprender contigo,

Oh! Grande e sábia, vida.

 

Letícia Estevam

NOVA ACRÓPOLE João Pessoa
 

***

Awen

 

Queria a felicidade,

que não restasse só saudade.

Queria a sensibilidade dos Elfos,

ou a sabedoria dos Delfos!

 

Queria a conexão das dríades,

a perfeição da tríade,

a benevolência dos sábios,

que tornaria mais doce nossos lábios!

 

Queria o amor,

o suave aroma,

de um mundo sem dor!

 

Leticia Franco

NOVA ACRÓPOLE CUIABÁ

 

***

 

PARA CHAMAR A MUSA

Há de querê-la , precisá-la.
Não para propósitos triviais,
pois sendo divina não se presta a tolices,
e o mundo já possui imitações demais.

Cumpre chamá-la como quem necessita de uma chama no coração.

E quando ela vier, flauta imperfeita que és,
captarás da ventania apenas um sopro,
e transmitirás aos outros apenas um hálito.
Como o ar que porta um presságio de chuva.

Mesmo assim te cabe transmitir,
ainda que impuro, ainda que pequeno e fraco,
este sopro que escutaste.

Pois nestes tempos de frio e neblina, de algazarras e quimeras,
os espíritos suplicam aos sussurros, e não sabemos onde pôr os pés.

Nesses tempos de miopia, te cumpre caminhar de mãos dadas
e compartilhar qualquer alento que facilite a jornada.

Porque não é tua a vontade que chama,
não é tua a voz que vibra,
não é tua a mão que segura.

Chamei porque precisava, e ela veio.
Quem dera eu ter tido ouvidos prontos e mãos ágeis
para capturar-lhe o farfalhar do vestido.

É sempre assim, responde, mas da memória se evanesce rápido.
Não é daqui,
e em um segundo só lhe vejo as pegadas,
e um hálito de vela no ar.

Precisei, e ela veio.
Há poucos que me falam do que preciso,
mas de seu cântaro não pude beber senão por um instante.

Mas ah! Como tenho sede!
E por isso a chamarei de novo, e de novo,
até que possa saciar uma sede que não seja mais minha.

 

Maria Clara Duarte

NOVA ACRÓPOLE ÁGUAR CLARAS-DF

 

***

Cânticos

 

Vem ao meu encontro

Que há muito te aguardo.

Nesse corpo que arrasto,

Que apenas ocupa espaço.

Conto os minutos que faltam

Para embarcar nessa viagem.

Comigo quase nada levarei,

Somente as experiências,

Aprendizados que desembocam

No rio da evolução.

Que meu corpo descanse

Até que outro me seja dado

Pois quem pensa que a vida

Se resume em carne

Desde já percebe estar enganado.

 

Matheus Breno

NOVA ACRÓPOLE NATAL-RN

 

***

OCASO PARTICULAR DO SOL

 

Todos os dias

O Sol vai nascer.

São lácteas as suas vias,

Já viu algum planeta ele esquecer?

 

Ninguém dá parabéns por ele nascer direito:

“Nossa, Sol, como você nasceu bem esta manhã!”

Ninguém reclama por ele ter defeito:

“Por favor, Sol, faça melhor amanhã…”

 

Ele apenas nasce,

Não importa a circunstância,

Do horizonte sempre surgirá a sua face.

 

Não se deixa levar por opiniões,

Não afeta seu dever a ansiedade,

Para ele não há preguiça.

Infinitas são as suas motivações,

Grandiosa é a sua humildade,

Em seus frutos não há cobiça.

 

Seu glorioso dever não lhe sobe à cabeça,

Sua nobre posição não o faz arrogante.

Independente do que aconteça,

Desde você nascer, até que enfim envelheça,

Mesmo que o dever dele você não reconheça,

Ele o realizará sem que sua luz enfraqueça,

Nos acompanhará até que então anoiteça,

E seu brilho estará igualmente radiante.

 

Caso chegue um dia ao ocaso final,

Por acaso faríamos disso pouco caso?

Entraríamos em desespero existencial,

E só então nos daríamos conta

Que ele havia sido essencial.

 

Portanto, aprendamos com o Sol.

Dos perdidos viajantes, ele é o farol;

Dos seres que tem frio, ele é o lençol.

Façamos nosso dever sem queixas,

Dia após dia.

Não nos entristeçamos,

Façamos o que ele faria.

Vivamos, tendo em mente que:

Se no hemisfério sul é noite,

No hemistério norte é dia!

Cerimonializemos nossas existências:

Tornemos o nascer-do-Sol um nascer-do-Ser,

Convertamos o pôr-do-Sol em pôr-do-Ser.

Não esperemos que toda hora seja meio-dia,

Pelo contrário, esperemos dias inteiros,

Com baixos e altos, fracos e fortes,

Vidas e mortes.

 

Regozijo na alegria, aprendizado contudo.

Introspecção na tristeza, mas aprendizado também.

Ilumine quem for, ilumine tudo!

Sem nem prestar atenção a quem.

 

“O galo da campina ergue a poupa escarlate fora do ninho,

Seu límpido trinado anuncia a aproximação do dia.”

Ergamos a luz do Sol dentro de nós mesmos também,

De pouquinho em pouquinho.

Pois, quando menos esperarmos,

Estaremos em sua companhia.

 

Yuri Galli

Nova Acrópole Brasília- Asa Sul

 

***

 

Terra Mãe

 

Tão bela a Terra, cheia de pureza,

Traduz, em formas, plena harmonia.

Transbordo de suave euforia

ao contemplar seu seio de riqueza

 

Emana dela, qual progenitora,

sensível energia de bondade.

Do solo brota generosidade

e gera uma beleza inspiradora.

 

Minh’alma vibra ante ao esplendor

da vida que ergues como fosse um templo.

Me encanta tudo, e quanto mais contemplo

maior é a dimensão do meu amor.

 

O amor que eu ofereço é pequeno,

mas muda por completo o meu semblante,

e faz-me vislumbrar, por um instante,

quão belo ele seria fosse pleno.

 

Queria abraçar-lhe em doce afago.

Sentir, da Terra, o coração pulsar.

Perante o altar da Vida hei de orar

que aceite a oferenda que lhe trago.

 

  Raquel Mendes

NOVA ACRÓPOLE BRASÍLIA- LAGO NORTE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Machado de Assis e o Espírito Heroico do Brasil

Em homenagem às ultimas semanas, nas quais o Brasil foi palco das Olimpíadas 2016, o Acrópole Poética resgata um pouco do espírito olímpico através deste tesouro poético recém descoberto: um poema de Machado de Assis, escrito aos 17 anos, a exaltar o heroísmo do Brasil – nas entrelinhas da história do País, o Autor vai da Antiga Roma até o famoso Grito do Ipiranga, revelando grandeza e coragem nas entrelinhas do Povo brasileiro.

 

O Grito do Ipiranga

 

Liberdade!… Farol divinizado! –

Sob o teu brilho a humanidade e os séculos

Caminham ao porvir. Roma as algemas

Quebrou dos filhos que a opressão lançara

Dentre a sombra de púrpura dos Césares,

Que envolvia Tarquínio em fogo e sangue,

Cheia de tua luz e estimulada

Por teu nome divino – essa palavra

Imensa como as vozes do Oceano.

Sublime como a ideia do infinito!

Tal como Roma a terra americana,

Um dia alevantando ao sol dos trópicos

A fronte que domina os estandartes,

Saudou teu nome majestoso e belo –

E o brado imenso – Independência ou morte! –

Soltado lá das margens do Ipiranga.

Foi nos campos soar da eternidade.

Desenrola nas turbas populares

Dos livres a bandeira o herói tão nobre,

Digno dos louros festivais que outrora

Roma dava aos heróis entre os aplausos

Do povo que os levava ao Capitólio!

Ele foi como o César de Marengo;

Sua voz como a lava do Vesúvio

Levada pela voz da imensidade

Foi do Tejo soar nas margens, onde

Estremeceu de susto o lusitano!

Ipiranga!… Ipiranga!… A voz das brisas

Este nome repete nas florestas!

Caminhante! Eis ali onde primeiro

Soou o brado – Independência ou morte! –

O homem secular levando as águias

Por entre os turbilhões de pó, de fumo,

Ostentando nos livres estandartes

O lúcido farol de um século ovante,

Mais sublime não foi nem mais valente

Que Pedro o herói, da América travando

Do farol da sagrada liberdade,

E acordando o Brasil, escravizado,

Sob férreos grilhões adormecido.

Somos livres! – Nas paginas da história

Nosso nome fulgura – ali traçado

Foi por Deus, que do herói guiando o braço,

Nas folhas o escreveu do eterno livro.

Somos livres! – No peito brasileiro

A ideia da opressão não se acalenta!

Somos já livres como a voz do oceano,

Somos grandes também como o infinito,

Como o nome de Pedro e dos Andradas!

Seja bendito o dia em que Colombo

César dos mares, afrontando as ondas,

À Europa revelou um Novo Mundo;

Ele nos trouxe o cetro das conquistas

Nas mãos de Pedro – o fundador do Império!

O herói calcando os pedestais da história,

Ergue soberbo aos séculos vindouros

A fronte majestosa! Imenso vulto!

É ele o sol da terra brasileira!

Neste dia de esplêndidas lembranças

No peito brasileiro se reflete

O nome dele – como um sol ardente

Brilha dourado no cristal dos prismas!

Tomando o sabre, dominou dois mundos

O herói libertador, valente e ousado!

Ele, o tronco da nossa liberdade,

Foi como o cedro secular do Líbano,

Que resiste ao tufão e às tempestades!

Ipiranga! Inda o vento das florestas

Que as noites tropicais respiram frescas

Parecem murmurar nos seus soluços

O brado imenso – Independência ou morte!

Qual o trovão nos ecos do infinito!

Disse ao guerreiro o Deus da Liberdade:

Liberta o teu Brasil num brado augusto,

E o herói valente libertou num grito!

Ulysses – de Alfred Tennyson

Ulysses

De nada serve a um rei ficar inerte,
No lar quieto, em meio à rocha infértil,
Unido a esposa idosa, eu doo e imponho
Iníquas leis a um bando de selvagens
Que soma, e dorme, e engorda, e não me vê.

Estou inquieto: Sorverei da vida
A última gota: Sempre gozei muito,
Sofri muito, com todos que me amaram,
E só; em terra firme, ou arrastado
Por negras correntezas irritadas
Pelas Híades: Transformei-me em nome;
Errante sempre, com ardente impulso
Muito vi e conheci; cidades de homens
E costumes, conselhos, climas, regras,
E a mim mesmo, por todos sempre honrado.
Traguei da pugna o gozo junto aos meus,
Longe na Troia dos ventantes plainos.
Sou parte, enfim, de tudo que encontrei;
A experiência é um arco pelo qual
Vislumbro um mundo inexplorado, cuja
Margem se afasta sempre ao meu mover.
Que tolice o parar, o dar um fim,
Enferrujar assim, sem uso e brilho!
Como se respirar fosse viver.
Quão pouco, vidas sobre vidas! Desta,
Pouco resta: mas cada hora é salva
Do que é silêncio eterno, um algo além,
Arauto do que é novo; vil seria
Guardar-me, agrisalhando por três sóis,
A alma cinzenta ardendo por seguir
O saber como um astro que se afoga,
Além do limiar do pensamento.

Este é o meu filho, meu fiel Telêmaco,
Para quem eu relego o cetro e a ilha –
Meu bem-amado, hábil a cumprir
Esse labor, prudente domador
De um povo rude, e mansamente, aos poucos,
Vai sujeitá-los ao que é bom e útil.
Irreprochável, centra-se na esfera
Dos deveres comuns, decente para
Sutis ofícios, prestará tributos
De justa adoração aos nossos deuses
Quando eu me for. Ele obra o dele, eu o meu.

Lá jaz o porto; O barco estufa as velas:
Ensombram grandes mares. Meus marujos,
Almas que lutam, sofrem junto a mim –
Que, jubilosas, acolheram sempre
Trovão e sol ardente, opondo frente
E fronte livres – nós estamos velhos;
Na velhice, persiste a honra e a luta;
A morte é o fim: mas antes, algum feito
Notório e nobre está por se fazer,
Sem impróprios conflitos com os Deuses.
Luzes estão a cintilar nas rochas:
O dia míngua: a lua ascende: o abismo
Gemendo em muitas vozes. Venham, homens,
Não tarda a busca por um novo mundo.
Partam, em ordem todos, e fulminem
As sonoras esteiras; Meu intento
É navegar além-poente, e sob
Estrelas do ocidente, até morrer.
Talvez vorazes golfos nos devorem,
Ou então, nas Afortunadas Ilhas,
Vejamos grande Aquiles, caro a nós;
Mesmo perdendo muito, há muito à frente,
Ainda que como antes não movamos
A Terra e o Céu; O que nós somos, somos;
O mesmo heroico peito temperado,
Fraco por tempo e fado, mas forte a
Lutar, buscar, achar, e não ceder.

“Se” de Rudyard Lipling

Rudyard Kipling, autor inglês – nascido na India – reinventou a arte de contar histórias e pelo conjunto de sua obra foi o primeiro britânico a ser brindado com o Prêmio Nobel de Literatura. Sua obra prima: “O Livro da Selva” revela suas mais profundas impressões acerca do que é e como se tornar um verdadeiro Ser Humano, tudo isso em meio a um cenário selvagem de muito aprendizado com os animais.

Esta visão, de como ser um Homem, também é belamente versada no poema a seguir:

se

SE…

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar –sem que a isso só te atires,
De sonhar –sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste!”;

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais –tu serás um homem, ó meu filho!

 

Ode a imortalidade

Willian Wordsworth

versos 59 – 72 (tradução livre)

Nosso nascimento não é senão um sono e um esquecimento
A Alma que cresce conosco, estrela de nossa Vida
Já teve seu pouso em outro lugar
E vem de muito longe
Não em completo esquecimento
E não em total desnudamento
Mas trilhando nuvens de glória viemos
de Deus, que é nossa casa:
O Céu que circunda nossa infância!
Sombras do cárcere começam a cobrir
O menino que cresce
Mas ele vê a luz e sua fonte
Com alegria a contempla;
O jovem, dia a dia afasta-se do oriente
Deve ir embora, da Natureza ainda é sacerdote,
E sua visão esplêndida
Em seu caminho o acompanha;
Por fim, o Homem percebe como morre
E , na luz de um dia comum, se desvanece.

Feliz Dia Mundial da Poesia !

 

Em Homenagem a este dia tão especial, compartilhamos os belíssimos versos de Amado Nervo: writing-with-pen

 

DEUS TE LIVRE, POETA…

Deus te livre, poeta,
de verter no cálice de teu irmão
a menor gota de amargura.
Deus te livre, poeta,
de interceptar sequer com tua mão
a luz que o sol presenteia a uma criatura.

Deus te livre, poeta,
de escrever uma estrofe que contriste;
de turvar com teu ar enfadonho
e tua lógica triste
a lógica divina de um sonho;
de obstruir o caminho, o intento
que percorra a mais humilde planta;
de destruir a pobre folha ao vento;
de entorpecer, nem com o mais suave
dos pesos, o ímpeto de uma ave
ou de um belo ideal que se levanta.

Tem para todo júbilo, a santa
simpatia acolhedora que o aprova;
põe uma nota nova
em toda voz que canta,
e retira, com teus sons,
um mínimo espinho em cada prova
que torture aos maus e aos bons.

Amado Nervo
Marzo, 1916.
Livro: Elevación

Minha arte

Gerson Miranda

Convite

O artista cria

Mas não se apropria

A minha arte

Não é minha

Pertence ao Universo

Senhor de toda a Magia.

Em verdade

Só a divindade cria

A humanidade deve

Despertar sua vocação

Colaborar com a criação

Agir com sabedoria

Não virá

A arte plena

De uma alma pequena

Mas da divina harmonia

Trazida por uma lira

Dedilhada por Sophia.