Concurso de Poesias para Damas 2018

 

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Quadro a óleo Flor do Campo, Juliana Limeira

A Organização Internacional Nova Acrópole Brasil Norte realiza, anualmente, um Concurso de Poesias para promover a expressão da Beleza e da Harmonia.

Trazemos as três vencedoras do Concurso de 2018, cujo tema foi Dignidade, e a seguir as poesias participantes, por ordem alfabética de Filial.

Primeiro Lugar: Aline Nascimento Freitas Almeida – Filial Cuiabá

Sonhos de Menina

Quando éramos crianças, tinha sonhos de menina.

Pensava em uma Bela, que ao furar o dedo adormecia.

Acreditava em outra Bela, que no fundo nem mesmo sabia,

Que a Fera por quem se apaixonara, em verdade, era ela.

 

Imaginava uma Neve Branca de lábios avermelhados,

Que, com 7 companheiros, pela estrada da vida caminhava.

Encantava-me a Pequena, que ignorava se era peixe ou menina,

E entre Mares e Mistérios: um Mundo Novo descobria.

 

E então, naquela fase complicada da vida,

Sem saber se era realidade ou mentira,

Dediquei-me a entender os meus sonhos de menina.

Que confuso era aquilo que sonhava!

 

Seria mesmo o fuso, o responsável pelo furo?

Seria a floresta, o pretexto para rever a Fera?

Seria a maçã, o desejo a quem entrego minh’Alma?

Seria a vontade de me tornar uma humana de verdade?

 

Ah, que difícil entender os sonhos de menina,

Os quais as Fadas contavam-me em forma de história.

Agora, o que me resta é trazê-los à memória,

E assim, reconhecer minha sina.

 

E quem um dia adormecia,

Agora desperta lentamente.

Vai percebendo em seu sonho

Aquela estrela sempre brilhante.

 

Fadas ganham nomes, Princesas vestem-se de azul.

Príncipes marcham nobres, corajosos, adiante!

Ou constroem espadas, escudos e pontes.

Bebendo Juventude às margens das fontes.

 

Não são perfeitos, como antes eu imaginara.

Mas buscam ser Dignos de habitar os castelos.

Na luta diária, creem num mundo mais belo.

Na batalha constante, vencem sua parte ignorante.

Rompem as sombras, à Luz da Verdade.

Mantêm-se firmes no caminho de Justiça e Bondade.

 

Agora…tão distante e tão perto daquela menina.

Começo a entender seus sinais.

Seus sonhos não eram mentiras,

Eram apenas um aviso da Princesa Adormecida:

Acorde dentro de mim, me dê o tom, som e a magia,

Traga mais cor e Sabedoria aos dias de minha Vida.

 

Segundo Lugar: Sofia de Oliveira – Filial Cuiabá

Digno Sorriso

Um sorriso que num rosto surge

Inunda um ambiente de luz e amor

E por trás de cada sorriso existe uma história

Que pode ser de alegria, mas também de dor

O sorriso de uma criança sempre é puro e inocente

Pois a criança nada esconde

É o que é

Sem disfarçar o que sente

O jovem ri desmedido

Como se cada momento fosse o mais importante

O amanhã? Não existe

Apenas o aqui e o agora são relevantes

O ancião sorri com serenidade

Com sabedoria encara a vida de frente

Em seu semblante expressa a humildade

De quem soube viver plenamente

Há aqueles que sorriem na felicidade

Outros sorriem exageradamente

Sorrisos que não exigem grande esforço

Vem e vão facilmente

Mas de todos os sorrisos,

O mais belo é o dos dignos

Quando felizes emitem um brilho que irradia

Inspirando os demais a buscarem a mesma alegria

Quando tristes não demonstram por dignidade

E trazem aos demais a mesma serenidade

Assim como as ostras do mar

O homem digno transforma dor em alegria

Através de um sentimento estável e profundo

E revela ao mundo pérolas de sabedoria.

 

Terceiro Lugar: Raquel Mendes – Sede Nacional

Altivas Guerreiras

Quando mirei a chama enfim,

tal como foi posta diante de mim,

meu peito disparou.

Derramei um pranto que não conhecia.

Suspensa no tempo,

aquela voz rebatia:

“És agora guardiã do sagrado”.

A alma acesa recebia o recado.

 

Meu destino, forjado em prata,

brilhou na escuridão da noite.

Fez-se ouvir então a serenata

de um hino a revelar

onde era o meu lugar.

 

Como onda, oscilava a minha mente;

Medos que remontam meu passado.

Ao mergulhar deixei tudo de lado

e da água gélida, cortante,

eis que surgiu

suave calidez em meio ao frio.

Me envolvendo,

mil abraços me acolhendo.

 

Pondo em prova meu ar resoluto

a dúvida não me cedeu indulto.

Seria eu digna desta senda

que oferece glória e redenção?

Palpitava o coração:

“Não me impeça! Quero ser!”

E a desconfiança, prova dura,

dissipou-se expressando ternura.

 

De volta ao fogo, luz divina,

ditei aos Deuses minha sina:

Enfrentar os carcereiros

que retém minha energia –

minha vida – em mil rodeios.

 

Sempre guardo na lembrança

a benção visível em cada mirada.

Refletiam tanta esperança

na minha humilde jornada.

“Como podem?”, perguntei-me.

“Sou pequena demais.

Serei mesmo capaz?”

Lá de dentro uma resposta:

“Me aliei a altivas guerreiras,

vencerei quaisquer barreiras.”

 

Hoje são minha fortaleza

estas damas cujas vozes ressoam

no mais alto de mim;

Ecoam como nobre clarim.

Minhas bravas companheiras

pilotam as mais belas naus,

geram vida eterna em meio ao caos.

 

Karla Andrade Costa Lacombe,  Filial Águas Claras

 As musas vieram!

Depois de longos meses, as musas decidiram me visitar

Trazendo com sua leve presença um perfume róseo no ar.

Sussurraram em meus ouvidos sentimentos, não palavras

E quão difícil foi entender o que elas entoavam!

 

Me falaram da beleza na dor, de força, autenticidade

E, acima de tudo, insuflaram em meu peito um sopro de bondade.

Não aquele sentimento de homens fracos e oprimidos

Mas a bondade que nos faz capaz de superar abismos.

 

As musas vieram! E encheram meu coração de esperança

Na história, em mim, na humanidade. Quão doce lembrança!

Uma foto fiel daquilo que no recôndito da alma é verdade

Talvez o primeiro passo a um grande caminho chamado dignidade.

 

Maria Clara Duarte – Filial Águas Claras

DIGNIDADE

Digna é a flor que expõe as cores ao sol,

E também a que perfuma a noite.

Digno é o cisne ao fender a água, branco farol,

E também quando abraça o horizonte.

Quanta dignidade encontro na pedra do altar,

Mais ainda na que sustenta o templo.

Também em mim, passo a buscar.

Que curva terá sua asa? Que rastro seu movimento?

Como descobrir o que brilha único?

A marca indelével de sua existência?

 

Em nós nem sempre se vê a verdade,

traço sutil, incolor.

É um brasão interior,

Feito de trabalho justo e sã consciência.

Pois ter no divino, identidade

É encontrar a própria dignidade.

 

Priscila Pires – Filial Aparecida de Goiânia

Para te reencontrar

Para Luiz Carlos Marques e Ana Cristina Machado

De todos os dilemas, o maior é o te reencontrar,

Como me apresentar com a mais pura vontade e captar de teu peito essa sublime Bondade?

Te vejo tão grande, pareces voar,

E a mim tão pequena, com minhas frágeis certezas,

Me cabe lutar sem deixar de sonhar.

Quando é certo nosso reencontro, me aprumo ,

Tudo será tão breve, mas com a intensidade de todos os mundos,

Ordeno a mente, sei que algo morrerá,

Talvez uma presunção, certamente uma ilusão,

Mas desde o mágico momento, já não serei mais a mesma, serei melhor, retomarei meu rumo.

 

Quando me elevo a ti

Um novo colorido invade minha vida,

És o símbolo vivo do que sonho para mim:

Fazer belo e cerimonial cada instante de rotina,

E encarar meus dragões sem perder a disciplina.

 

Quando te encontro em mim,

Uma cortina se abre!

Não há distâncias ou diferenças que nos separe,

Cada palavra dita é só sussurro de minha própria Alma,

Recordo-me sempre disso quando estou em batalha,

Não se trata, enfim, de estar certa ou errada,

Mas de viver e morrer pelo que ecoa da Eternidade.

 

Por fim, quando permito que hajas em mim,

Sou muito melhor do que poderia imaginar,

Sigo amando e me comprometendo a este mundo mudar,

Sabendo com a mais clara pureza de com quem posso contar!

 

Já dizia um mestre: “Nos vemos no Cruzeiro do Sul”,

E eu sigo buscando ser coerente,

Para ser digna novamente,

De poder te Reencontrar…

 

Caroline Pilz Pinnow – Filial Cuiabá

Alma

Tão distante estás, ó amada,
Dotada de grandeza inata
Fonte sublime, fulgor,
Símbolo supremo do amor.

Nada te sobra e nada falta,
Pois te bastas assim…
Tens da beleza o primor,

Guardas a melodia da vida
Cofre de ouro, verdadeiro valor.

Imortal te prostras a espera…
Dos homens que se aventuram ao alto,
Com seus cavalos indomados, alados
Que tendem a terra o retorno.

Insustentáveis caem no sono,
A esquecer da origem divina.
Enquanto a alma, dama de ouro,
Aguarda serena o despertar humano.

Para ti não há raça, credo ou cor,

Desconhece medos, dores e fragilidades…
Meros subterfúgios da personalidade,

Ferramentas de maia, em mundo fugaz.

Dama que faz ponte ao espírito,

Mantém o equilíbrio,

Dois mundos tão desiguais.

 

Hora liberta, desperta,

Guia do humano coração.

Hora presa em matéria densa,

Acorrentada pela ilusão.

 

Quando aprisionada, mantém o elo

Conserva consigo a pureza,

Para que ao contemplar do belo,

O homem relembre sua natureza.

 

Tens o caráter inteligível,

E mesmo em mundo sensível,

Conserva tua parte superior.

 

E quem quer a tenha percebido,

Reconhecerá sua grande potência,

Que unida a inteligência,

Eleva o homem ao criador.

 

Ó dama, quão maravilhosa é tua essência,

Quem a encontra jamais esquece,

Não és terrena, nem humana, nem celeste.

 

Abarcas todas as coisas

As mantém unidas,

Anima os corpos por toda a vida,

E quando estes já não mais servem,

podes enfim se libertar.

 

Dama, símbolo de sabedoria,

Meu ser em ti refugia,

Colo de mãe, doce lar.

Seguirás para sempre meu guia,

Até o dia em que possa ser digna,

De morar em teu sagrado altar.

 

Janaina Morais – Filial Cuiabá

Encantos da Vida

Raios de sol,

cintilam no amanhecer.

Retrato do divino,

aos olhos da Dama.

 

Doce e serena,

desenha um sorriso.

Forjado de dores,

moldado de vitórias,

pleno de amor.

 

Humilde,

reconhece nos Mestres,

o poder da harmonia

e a pura beleza

da dignidade.

 

Baila com elegância

na sinfonia da vida.

E navega, silenciosamente,

rumo a Estrela d’ Alva.

 

Irradia luz,

aos puros de coração.

Retira os véus de Maya,

aceita a vida,

desperta, seu eu interior.

 

Ser como uma Dama

és sua missão.

Gerar a vida,

semear a beleza,

florescer a felicidade.

 

Digna de sua Alma Imortal,

vislumbra o voo dos pássaros,

o tremular das folhas,

o nascer do sol.

 

Cada simples momento,

és fonte de alegria,

no interior da Dama.

Lirismo de contemplação

e serenidade.

 

Discípula,

marcha com esplendor.

Ecoa no seu canto,

a fortaleza e formosura,

de ser uma Dama.

 

Ana Paula Santana da Costa – Filial Cuiabá

 O caminho da dama

Sejamos damas que caminham rumo a um ideal.

Que saibamos trilhar o caminho que nos cabe,

Semeando flores, cor e amor.

 

Tenhamos em nosso interior a luz que nos possibilite expandir

O que temos de melhor.

E como um sol, gerar e doar energia

Sendo fonte de vida e harmonia.

 

E, assim, sempre adiante

Que o coração nos leve até onde devemos chegar

Com um sorriso no rosto e a leveza no olhar.

 

Flavia Pinto – Filial Fortaleza

A nós, a Dignidade humana!

 

“Da integridade nasce a dignidade

da dignidade nasce a honra

da honra, o mando

do mando, a liberdade.”

Cipião Imiliano

 

Eis que o sopro de bóreas me trouxe até o alto da colina

de onde posso observar toda a natureza

todos seus elementos… terra, água, ar e fogo.

 

Antes mesmo do sol despontar,

na abobada celeste cores vão surgindo

os raios de sol anunciam o que é divino!

 

E na aurora desse amanhecer, Percebo uma bela imagem.

Dignitá! É seu nome.

Eis que é Bela, sublime!

Gravada em meu coração

 

Eis que vou forjar Dignitá!

com essa imagem lapidarei a minha personalidade.

Inspirada pelos alquimistas trabalharei incansavelmente

Para transformar o bronze em ouro.

Convocar a  Vontade  com toda a sua magia!

 

Controlar os impulsos grosseiros

Elevar as emoções em sentimentos

Eliminar os pensamentos irrelevantes

conjugar e não confrontar

 

Já não mais vaguear ….Transpor esses muros,

Abrir espaços…. desbravar novos caminhos!

cada dia se renovar

Do alto da colina reconheço  a dignidade humana

 

Sentir e expressar os belos sentimentos

Pensar sobre as Leis da Natureza,

Refletir sobre a Verdade

Se aproximar dos grandes e nobres Ideais!

Eis que vou forjar Dignitá!

 

Liliane Pereira – Filial Fortaleza

Um Pequeno Voto de Confiança

Que bom te reencontrar, é uma honra tua presença!
Entra, fica à vontade!
Eu te transmito outra vez a direção desta nave,
este veículo ao qual me cabe manejar e conduzir
Mas antes ,se assim me permites fazer, tenho um pedido
Poderias me falar um pouco sobre a dignidade?
E tua resposta ressoa, grave, por este espaço:
A dignidade não é fruto dos teus anseios materiais
Não tem a ver com o passageiro, com tuas  ânsias mais banais.
A dignidade exala do Respeito,
Escudo sagrado que abriga teu peito.
É virtude da Alma, é atributo da Unidade,
Selo de ouro das mais nobres aspirações
De toda uma vida.
Talvez a porta de entrada de todos outros dons e, para os vícios, a porta de saída
Ela é fruto da pureza, é atributo dos bons,
Ela é a âncora que permite, em mar revolto, serenidade.
Ela é a força interior dentro das nobres intenções; das grandes metas, a estrada.
É a leveza que inspira os voos da imaginação,
É a beleza, tão desprezada, que se recolhe do chão.
Ela é a áurea Afrodite que te renova em tensos momentos
E é a flor de ouro dos especiais sentimentos,
Profundos, válidos, reais.
É o saber ouvir, calar e viver,
É aprender a mar, é aprender a ver
A natureza em cada ser, harmonizando os diferentes
E equilibrando a intensidade dos semelhantes.
Somente ela gera real fraternidade
Pois preserva  quem és, e o que são teus irmãos.
Somente ela é esperança de um mundo renovado,
Do homem valoroso,
Do Ideal sonhado.
O que chamamos de futuro, para ela, é agora.
Ela anima o que sonha e ampara o que chora.
Portanto, querido filho,
Mantém-te forte para merecê-la,
Mantém-te em paz, mas sem passividade
Mantém-te em guerra contra  tuas sombras,
E em defesa da humanidade.
Eleva o olhar para buscar sempre mais alto
O ponto onde almejas chegar.
Constrói moradas onde possa habitar
A humana felicidade.
Conquista, mas não apenas para ti,
Mas para sempre ter para dar,
Mas para sempre ser para servir,
Qual nobre servo da veraz Dignidade.

 

Ana Karla F. N. Loyola – Jardim América

DIGNIDADE

 Dignidade! Aporte do estandarte amor

pois que a pura consagração da existência

imanta o código de divino labor

E na delicada tensão entre força e sensibilidade, essência.

 

Mirar ao centro e transcender

Digna alma da ação

Eis o aspecto primordial de viver

Caminho traçado de evolução

 

Qual o limiar entre o Ser e Existir?

A Matemática sagrada que integra

o horizonte em devir

e o homem quimera

 

Viver, e o sonho resplandecer

realidade de uma Alma que sabe sua condição,

e deposita esperanças no dever

digno, é a compreensão

 

Saber-se inteira e assim partilhar

o promissor verdadeiro

no mundo de forças contrárias, sacralizar

em guarda interior, ao alto do outeiro

 

Para a vida assim consagrar

Amor deves render

Pois que a divina mestra recorre a ensinar,

o eterno bem viver.

 

Natalia Pimenta – Filial Natal

Dignidade na trilha

Tu que caminhas ao meu lado
Na terra teu pé firma
Que estejas na noite desperto
E que guarde o caminho em vigília

Na noite dos tempos em que vivemos
Sopram fortes ventanias
E que não sejam teus passos, ó discípulo
Os que se esquecem da trilha

Se tropeçardes, continua
Se caíres, levanta
Se te sentires sozinho, aproxima
Mirando acima e abaixo
E vendo a corrente que te guia

Percebas que à medida que caminhas
Te tornas mais resistente
Não por ti, jamais se esqueça
Mas pelos que de ti dependem

Aprende a gerar e dar
Neste misterioso caminhar
Não somente o que ofertas em mãos
Mas o que nega e resiste em transmutar

Aprende também a se encarar de frente
E assume as responsabilidades
E quando quiser erguer ingratas palavras
Silencia e atua no que te cabe

Aprende a sonhar alto
Mas não se perca em fantasias
Se houver algum brilho e grandeza entre nós
É da estrela que nos guia

Que teus passos sejam sólidos
E os dê aos poucos, mas por inteiro
E mesmo que queiras correr
Garantas antes que sejam verdadeiros

O que aprendes entrega rápido

Lembrando que esta saga se partilha
E decifra as lições que chegam do alto
Para que diante dos outros não esteja a alma vazia

Deseja, acima de tudo, servir
Veja ao redor a dor humana
Por onde andas és peregrino
Por onde andas és também esperança

Que essa dor te guie
E não te faças descansar
Que ela te acorde nos dias sonolentos
E te ponhas a postos a trabalhar

Desejo, ó discípulo
Que a se entregar não temas
E aprendas a ser digno continuamente
Te teres guia, filhos e uma chama acesa.

 

Lívia Ataíde Lima – Filial Rio Verde

DIGNIDADE E INTEGRIDADE

Quantas vezes a alma partida

Trouxe na memória os sonhos de outrora

Franca vontade de voltar ser inteira

Vencer o vazio de suas metades

Resgatando as partes, o destino apraz

Verdadeira busca, traz integridade

E um sopro divino anuncia a paz.

 

Nas noites de alento que trazem respostas

Do céu emanavam verazes vozes

Apontando as estrelas tão ternas, distantes

Na senda a justiça e a necessidade

Traçou uma linha, prateada tão bela:

Atravessando as sombras nos sentiremos inteiras

Se amparo formos à Humanidade!

 

O espelho da vida que reflete as verdades

Retornando pra terra tão pura bondade

Mãe conselheira és tão firme entrega

Empresta-me tuas mãos pra construir minhas bases

Com mais força, nobreza e maturidade

Terei coragem pra ser quem eu gostaria ser.

 

Vi a vontade e seu aroma sóbrio

Dos corajosos que insistem em saber quem são

Ousei lutar contra inimigos invisíveis

Que diluíram a bondade na desilusão

Velha luta travada diariamente

Quem sabe o despertar da intuição?

Me faz firme e convicta na mente

Rompendo a resistência na ação.

 

Se o talhe do diamante faz o brilho

E no silêncio da dor nasce a dignidade

Para amparar o pranto, me comprometo

Quanto mais pesada estiver a senda

Mais tentarei aliviar o seu peso

E se o destino assim o permitir

Quanta carga inútil eu puder diluir,

Poucas bagagens para atravessar o tempo

Apenas um sorriso estável, discreto

Ser cada dia mais leve e profunda

Para lutar contra inimigos do futuro ou do passado

Invisíveis, pequenos ou disfarçados.

 

Creio que felicidade é dignidade

E aprender a viver é como fazer poesia

Encaixar as palavras soltas no tempo

Entoar uma bela melodia

Destas que tornam suave a vida,

Se dançamos no ritmo que ela tocar

Tendo os pés firmes e as mãos serenas

Ao romper do vento suspirar!

Sutilmente na trilha nos reposicionamos

Tomando impulso tocando na terra

Pra levemente voltar a voar.

 

Jennyfer Arantes Silveira – Filial Rio Verde

Semente da dignidade 

 

Ó vida, como tenho que lhe agradecer 

Numa bela noite estrelada pedi respostas 

Para as tantas perguntas que cercavam-me. 

 

Não me trouxeste só respostas, 

Me trouxestes todas as estrelas 

Sonhos tão azuis 

Que não limitam-se pelas barreiras. 

 

Me destes o machado de duplo fio, 

Agora posso levar para fora 

Tudo o que de dentro se eduziu. 

 

O caminho é individual, 

Mas nunca se caminha sozinho 

Há sempre alguém ao nosso lado 

Nos mostrando o melhor caminho. 

 

Vida, me mostraste o valor da bondade 

Que a dor não é sofrimento 

Somos filhos da eternidade, 

Cada passo é uma oportunidade 

Para um profundo crescimento. 

 

Vida, tu não és mais a mesma 

Apesar de não ter mudado nada 

Está mais profunda e verdadeira. 

O sagrado tens desvelado 

Um pouco dos tantos mistérios existentes. 

 

Tem despertado-me 

O fogo duradouro do entusiasmo 

Que busca a juventude de ouro 

Soando por todos os lados 

A força do nosso clarim! 

 

Ó vida, com todas essas dádivas 

Brota em meu coração aprendiz 

A semente da dignidade 

Que quer ser a cada dia melhor, 

Que quer doar, que quer florir. 

 

Estou buscando meu verdadeiro nome 

Pois, o que mais me cabe? 

Se não meu eu discípulo construir? 

Ser Dama! 

Na esperança da íntegra dignidade 

Em poder a vida sempre servir. 

 

Enila Nascimento Freitas – Sede Nacional

 Ao encontro da Luz

“O que busco com minha lanterna é o homem integral,

aquele que busca o alimento de sua alma, a Deus.”

Maria Angeles Fernandez

 

Após meio século buscando,

Encontrei uma lanterna,

Que me mostrou um outro mundo,

Novo, fora da caverna.

 

Sua primeira face desvendava o Universo:

Fórmulas, leis, conhecimento submerso,

Poderosa lente mostrando verdades,

Origem, caminho e destino de Humanidades.

 

A segunda face focava apenas a beleza:

Despertava minh’alma com sutileza,

Realçando a sinergia de palavras, formas e tons,

A harmonia de movimentos, ritmos e sons.

 

Outra face me aproximava das pessoas:

De seu passado, suas vidas, escolhas.

Quanto mais convivia, dando a cada um o que lhe convinha,

Mais aprendia, tornando sua experiência a minha.

 

A quarta face era um espelho me iluminando por dentro:

Meus medos, defeitos, dons divinos, meu Centro,

E quanto mais iluminava, mais Bondade irradiava,

Mais o céu me deslumbrava.

 

O mais fascinante da lanterna:

Possuía uma energia interna

Que a fazia girar persistentemente,

E mostrar relações antes dormentes.

 

Dez anos depois, ao sair em viagem,

Incluí a lamparina na bagagem,

Com mente e emoções alertas,

Desfrutei novas descobertas:

 

Pitaia, fruta nova na Ceia de Natal,

O convívio do novo com o tradicional.

 

Novo arranjo em antiga melodia,

Tempo eternizado com a força da harmonia.

 

Momento em família difícil, de dor,

Transformado em riso, pelas mãos do amor.

 

Encontro com a Esfinge ao mirar o nascente,

A força da magia elevando minha mente.

 

Um novo Ano agora se anuncia:

A Dignidade como meu guia,

Descubro, com as palavras da Mestra,

Ser essa Virtude a alma da Lanterna,

Que agora hei de compartilhar,

Sua luz não há de se apagar.

 

Raquel Ilha – Sede Nacional

Dignidade

Aprender com os erros do passado

Estar no momento presente

Buscar formar novos hábitos

Ser coerente e mais consciente

 

Importar-se com os outros e menos consigo

Ajudar sem nada esperar em troca

Fazer aquilo que nos cabe no dia a dia

Cultivar a verdadeira solidão

 

Saber estar no mundo sem contaminação

Manter intacto seu escudo de proteção

Purificar-se diariamente e subir um degrau

Sonhar mais alto e saber ser um canal

 

Acrópole está dentro de cada um de nós

Ser digno é saber escutar essa voz

Vamos juntos nessa caminhada em busca do Ideal

Plasmar a ideia da Afrodite de ouro como nosso mestre JAL!

 

Maria de Jesus Sousa – Sede Nacional

Em Busca da Dignidade

A vida mundana

Encanta mas engana,

Foge do real

Afasta do Ideal.

 

São prazeres passageiros

Que não preenchem a Alma,

Pensamentos ligeiros

que nos roubam a calma.

 

Numa luta constante,

Sinto por um instante

Meu coração pulsar,

E o sagrado  roçar.
Quero ser digna de seguir

Essa trilha do Ideal,

E com a chama prosseguir

Para um mundo mais real.

 

Alinalde Lima – Sede Nacional

O SONHO DO COLIBRI

Um belo Colibri contou um sonho para o seu amigo sobre uma longa viagem que fizera através das estações, e assim descreveu:

 

No verão, a chuva e o vento

Devastam os campos, revolvem os mares e rios,

Enquanto as areias no deserto se movem sem tempo.

Depois, a Centelha se faz visível,

Refina o ar, refaz os caminhos.

 

No outono, o seio da Mãe Terra

Elabora os resíduos na reconstrução

Pois sabe que a generosa entrega

É o Poder da transformação.

 

No inverno, o recolhimento é certo.

“Descanso sereno” da Força em espera.

Reflete sob a neve, dizendo:

“Estou dormindo, mas estou desperta”.

 

Quando a primavera acordou…

A Natureza em festa renasceu, renovou…

Um novo ciclo, um novo encanto

Novas flores, novos frutos,

No “templo” terreno “sacrossanto”.

 

E eu, muito feliz, me aproximei da mais Bela Flor, quando ouvi um velho sábio dizendo:

“Salve Dignidade! Força, Poder, Centelha…

Faísca divina do coração Humano,

Te mantiveste acesa sem trégua,

Por todas as estações do ano.”

 

O amigo perguntou:

E da Bela Flor, o que fizeste?

Surpreso eu descobri:  era a Centelha do início, transmutada em Flor nas mãos do Mestre.

 

Maria de Jesus  Sousa – Sede Nacional

Simplicidade com Dignidade

Você passa todo dia

Em busca de algo para recolher,

Um jeito manso,  arredia,

Mexe muito com o meu ser.

 

Na batalha do dia a dia,

Buscando sobreviver,

Lança um sorriso de alegria,

Logo quando ela me ver.

 

Ofereço água, pão e café,

Conversa rápida para aliviar,

Segue seu rumo à pé,

Com seu carrinho a empurrar.

 

É a dignidade na simplicidade

De sentir-se útil e trabalhar,

Em casa mata a saudade

De netos e filhos ao chegar.

 

Leonora Alves – Filial Setor Universitário

ANO DA DIGNIDADE

No ano da dignidade

O que esperar?

Eu direi: – Nada ou tudo!

Esperar no sentido de espera, –  nada.

Espera gera egoísmo.

Esperar no sentido de esperançar, – tudo.

Esperançar  nos torna fortes e dignos.

Esperançar no ano da dignidade,

É lutar com integridade

Horando os Mestres com hombridade.

 

Nesse ano da dignidade

Ofereço-me

Ao trabalho virtuoso

Com respeito e excelência

Na busca da minha essência.

 

Ana Karoline Correia Mota – Filial Universitário

Digna, pura e reluzente

Hoje, aqui presente

Entrego meu Amor, que por vezes incosciente

Pôs-se a despertar pequenos entes

 

Hoje, aqui presente

Entrego minha Alma, que por vezes descendente

Pôs-se a habitar alturas, incrivelmente!

 

Hoje, aqui presente

Entrego minha Paz, que por vezes distantemente

Pôs-se a purificar minha mente

 

Hoje, aqui presente

Entrego minha Vontade, que por vezes inconsequente

Pôs-se a aplicar verdadeiramente

 

Hoje, aqui presente

Entrego meu Coração, que por vezes ausente

Pôs-se a trabalhar por uma ação consciente

 

Hoje, aqui presente

Entrego meu Ser, que por vezes transparente

Pôs-se a vibrar dignamente

 

Hoje, aqui presente

Entrego meu Nome, que por vezes ocultamente

Pôs-se a chamar ativamente:

 

Ana! Faz de ti a flor de lótus ascendente!

Digna, pura e reluzente.

 

Maria Lúcia Lopes Bezerra – Goiânia Setor Universitário

Honra e Dignidade

Em alto e translúcido deserto,

Uma lágrima corre.

Face flamejante, Alma inquieta,

_ Deus que lugar é este?

Teu próprio deserto, templo de tua Alma.

Desvendai teus olhos!

 

Desnudo-me dos véus, contemplo a celeste luz,

Sigo então o caminho

Sinto o tudo e o nada

Faces de uma mesma essência.

 

Ainda no deserto de minha Alma,

Ecoa a lira mágica, em sons suaves e imaculados,

Ouço então a voz do mistério, Divino mistério!

Eis que o tudo e o nada se plasmam em mim.

 

A voz segue dizendo:

Caminhe sobre as areias celestiais,

Contempla tua Alma,

Encontre teu centro,

Aprendais que és um Ser em construção

Levante tuas colunas de Honra e Dignidade!

 

Andressa Fernanda Pereira Rodrigues – Filial: Universitário.

Minha conhecida

Existe um lugar onde tudo está,

Tudo é e sempre será!

Um lugar onde reencontro

Uma velha conhecida.

 

Em meio às turbulências das águas rasas,

Eu lhe perco de vista.

Busco então na profundeza do mar celeste

A calma, a paciência, o Centro

Que me trás novamente a dignidade de dentro.

 

E de lá posso ver com sobriedade,

O que há tempos buscava.

Reencontro então, minha Alma,

Velha conhecida.

 

Ao vislumbrar sua chegada,

Iluminou meu coração com devoção!

Faço da investigação o serviço,

Trilhando o caminho do discípulo.

 

Tão bela, doce, pura.

Plena lá ela estava!

Mais uma vez então nos reencontramos.

Minha velha conhecida.

 

Adelita M. R. de Paula – Filial Universitário

EM BUSCA DA DIGNIDADE

Dignidade, como busco-te!

Passeias em meus sonhos

E em velozes momentos

Posso ver-te a me rondar

 

Às vezes ouço teus passos

Então, me movo rápido, veloz

Avisto-te tão bela! Tão forte!

E como um cavalo alado parte a voar

 

Sei que contigo estarei plena

Sei que Minh ‘alma quer o horizonte alcançar

Por isso continuo na busca

Perseverança e constância, vou te conquistar

 

Arde em mim fagulhas de ti

Chispas de um destino que nascerá

Preparar-me ei para receber-te

Pois contigo, quero para sempre estar.

 

Mariana Melo, Filial Universitário

 Em Busca da Dignidade

Deus, me fizeste humana

 

Para a ti me assemelhar, asas me deste.

Mas enamorada deste solo que acolhe,

Fiz da terra minhas vestes.

E aceitei a máscara que engana.

 

Quero ser digna de vosso dom, oh divindade.

 

Em meu peito habita tua marca,

E se hoje minha ação, a tua glória, não abarca,

Porquanto ainda me perco em vaidade,

Amanhã quero abraçar esta oportunidade.

 

De escolher, dentre os caminhos,

 

Aquele de maior dignidade.

Despir-me do manto empoeirado,

E alçar voo sobre o oceano da existência.

E enfim, iniciar a grande aventura que é a Vida.

 

Inspirada, não pela sede terrestre que me anima,

 

Mas pela nobreza que aprendi em vosso ninho.

E retribuir, qual  alquimia ígnea,

E guiada pela invicta estrela acima,

De tua divina chama, quero ser digna.

 

Ana Karoline Correia Mota – Filial Universitário

Gloriosa Saga

Tu, que fizeste de teu corpo somente um veículo,

Que se esforçaste até a última gota de suor,

Que com toda as adversidades vividas,

Se mantiveste de pé, na linha de frente.

 

Tu, que fizeste de teu sangue tua tinta,

Que colocaste toda tua energia,

Que por noites mal dormidas,

Se mantiveste de pé, iluminando as noites frias.

 

Tu, que fizeste de teus sentimentos tua certeza,

Que por amor a vida de cada Ser,

Que por ação por dever,

Se mantiveste de pé, alimentando sonhos.

 

Tu, que fizeste de tua mente a razão consciente,

Que tocaste o clarim,

Que, por viver o ato de escrever a história,

Se mantiveste firme ao teu ideal.

 

Tu, que fizeste de teu espírito teu lar

Que, por amar as ideais pôs-te a caminhar,

Que, por selar este pacto,

Se mantiveste firme ao propagar.

 

Tu, que me despertastes de um sono profundo,

Hoje eu vejo consciente,

E para Ti, confesso

Foi por seguir teus passos, que cresci.

 

Por tudo que há de mais sagrado, desejo,

Se é, que algo posso desejar!

Ofereço-lhe em segredo,

Uma oração sem apego.

 

Que eu seja digna! Oh, Mestre!

Que eu seja digna! Oh, Deuses!

Que eu seja digna! Oh, Mistério!

De levar esta Saga até ao fim.

 

Lana Cristina Dias Oliveira – Filial Universitário

Quero SER

Tanto quero ser, que estou aqui

Tanto mais que retiro o que é si.

Quero conhecer todos meus afins
E buscar dignidade em mim.
Medir, pesar e fazer-me capaz
De conduzir uma vida veraz.

Das nobres damas me aproximar

Para em exemplos me inspirar.

 

Aprender dia a dia a me doar

Tanto quero ser… posso confiar.

Assim com dignidade crescer

E tal como uma dama florescer

 

Ser parte, ser gota, muito revela:

Poder fazer é o que leva vida

Ilumina com vela pequenina

Aquece, dignifica, eleva.

 

Enxergo que o fruto não é só meu

E acolho o que Laquesis teceu

Limoeiro não conta seus limões
Dama, eterniza e se dispõe.

 

Leonora Alves – Filial Setor Universitário

 SENHORA DIGNIDADE

Busco nas musas uma inspiração

Quero elevar-me à estatura da perfeição

Contudo, sei que isso exige tempo.

Reconheço a minha imperfeição.

 

Na imperfeição da minha vida

Reconheço o caminho e minha lida

Porém, o meu caminhar tem ritmo e tempo.

Encontro nas musas, um sentido de vida.

 

Nesse sentido de vida, entrego-me à Divindade.

Dentro do que sou e do que quero eis a deidade.

Na certeza do caminho, percebo a ilusão do tempo.

 

O tempo ilusório rouba-me de mim,

No que tenho no que sou… Sou assim:

– Uma discípula, na busca da Dignidade.

 

Leonora Alves – Filial Setor Universitário

 VIDA COM DIGNIDADE

 A vida é uma obra de arte

O artista precisa  habilidade.

Esculpir a personalidade

Lapidar as arestas de toda parte.

 

O artista é tinhoso

Sabe que a vida é expressão

Quer expressá-la em sua ação.

Procura ser habilidoso.

 

Com sabedoria e coração

Numa cadeia discipular

Obediência é a sua libertação

 

Na sua construção, romper com a personalidade.

É colocar bondade e sensibilidade em ação.

Assim, a vida floresce com muita dignidade.

 

Nayara – Filial Universitário

 Vivendo etapas de DIGNIDADE

BUSCAR a dignidade é colocar-se em movimento

Sair de águas rasas, barulhentas de curso lento

Para o mais profundo e certo pensamento

De que para tudo há seu tempo e momento

 

Para CONQUISTAR a dignidade, é preciso desvelar dentro de si verdade

Caminhar firme na adequada velocidade

Não querer triunfos e ser sereno diante da ansiedade

Querer viagem sublime mesmo com toda simplicidade

 

Logo mais então, VIVER a dignidade é dominar a si mesmo com coerência

É se alinhar no caminho discipular com toda paciência

É decidir internamente por uma disciplina que mostre a essência

É perceber que nossa construção e força vem de cada vivência

 

Para assim MANTER a dignidade com esforço interno de nobreza

Tendo consciência ativa com sobriedade e leveza

Que é a escolha certa, de batalhas com ataque e defesa

 

Na busca, na conquista, no viver e no manter

Desperte a cada novo dia em seu Ser

Profundidade, verdade, coerência e nobreza

Sendo forte e firme de que este é o melhor caminho, com toda certeza!

 

 

Letras da Primavera 2018

Mais uma vez Nova Acrópole promove o Concurso Letras da Primavera, que busca incentivar a Beleza e Harmonia através da composição poética. Trazemos os vencedores de 2018:

Primeiro Lugar: Mariana Melo, Nova Acrópole Filial Setor Universitário Goiânia

A Primeira Pétala

Do outono, eu me despeço

Longo foi o caminhar em teu enlaço.
Reverente sábio, teu escudo em carvalho
Tuas vestes de cobre
Forjaram uma semente tão nobre.

Que o tempo não a devore!

Os fortes sopros de tua pompa
Plantaram algo de medo, algo de sombra
Das cores, meu olhar já não se lembra
Que estranha sensação!

Uma prece por aquarelas, infantil e em vão.

Aceitei a beleza de tua parda estação
Escutei tua voz em teu vento árido
Contemplei a dança das folhas no solo impávido
Foste severo, oh velho sóbrio!

O que espera meu olhar que ainda procura?

Um bálsamo longe, da flor que perdura
Que sem a rude casca e sem a rude labuta
Não viveria para oferecer a primeira pétala
Da nobre semente, de beleza perpétua

Algo novo anuncia, inocente se abre no ocaso.

Outono, árduo foi o caminhar em teu passo,
Sei que um colo, um leito é tão mais que mereço!
Mas, ainda infantil, é o que meu lamento espera
Ser forte, ser brava, quisera…

Mas apenas sou grata, por enfim em teu seio, oh, Primavera!

 

Segundo Lugar: Isabella Arruda, Nova Acrópole Filial Manaus

Alma-Passarinho

Um dia, conheci uma alma-passarinho…

Por onde passava, sua alma cantava

e laços atava, nunca era sozinho,

tão alegre o canto que a alma entoava!

De sua morada, decidiu voar,

e levar seu canto a outros lugares.

Mas viu que o mundo não era um bom lar

para estas Almas que vivem nos ares…

A Alma, enferma, do voo voltou,

triste com o mundo que havia encontrado.

Suas asas, qual antes, não recuperou.

e o canto e o sonho foi silenciado.

 

Triste, a alma-passarinho, agora muda,

Sonhava em voltar pra casa, buscava ajuda,

Mas como voar com esse peso, essa dor

de vagar por um mundo sem cantos, sem cor?

Um dia, olhou para cima e pensou:

Se de novo abrir minhas asas,

quão alto eu vou?

E, de novo, abriu suas asas e voou.

E curou-se do seu desespero

com a dádiva do esquecimento.

Só havia ele e Deus, neste momento.

 

Sua boca se abriu e voltou a cantar,

feliz pelo ser e por se reencontrar.

Quiçá, um dia, a Alma-Passarinho,

deixando de novo seu ninho,

virá entoar seu canto em todo lugar ,

e, em algum destes lugares,

alguns despertarão e ascenderão nos ares.

E nós, entre a dor e a alegria, caminhamos,

e a eterna dualidade, diariamente enfrentamos.

Mas, se silêncio fizermos, ouviremos baixinho

A música que vem da nossa alma-passarinho.

 
Terceiro Lugar: Caio Victor, Nova Acrópole Filial Sobradinho

 A beleza da dor

Se há versos que a caneta não escreve,
há lágrimas que os olhos não derramam.
Vivem contidas entre o mundo e o espírito
daqueles que sofrem porque amam.

Ninguém pergunta às flores o preço da manhã
nem ao capim o preço da chuva;
Ninguém pergunta ao trigo o que é a colheita,
nem ao vinho o que é deixar de ser uva.

Das flores, os homens veem as pétalas;
Do capim, veem apenas o verdor;
Do trigo, comem do pão produzido;
Do vinho, sentem apenas o sabor.

Ninguém vê na figueira a semente rachada,
nem na borboleta o casulo rompido
Numa se vê a grandeza dos ramos,
na outra, um par de asas colorido.

Crescer é abandonar o que te contém.
Ser quem somos é desafiar a dor;
é saber que ela é uma necessidade do bem
e que sofre feliz quem sofre por amor.

Homem, resgata em ti força para os teus pés,
e não te acovardes se o caminho lhe doer.
Se te queimarás no fogo de quem és,
será para tornar-te quem aqui viestes ser.

Crescer dói, e toda terra sofre em silêncio.
Por que haverias tu de proclamar tua dor?
Tu nascestes com o nobre direito de sofrer,
Então sofre em paz, como a uva, o trigo, o capim e a flor.

Ao chamado do amor, cumpre os sonhos teus
e deixe-se doer sereno como a Natureza;
pois sem a dor – que é obra de Deus –
a vida teria tudo, menos beleza.

 

LETRAS DA PRIMAVERA 2017

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Anualmente, a Nova Acrópole Brasil Norte realiza o Concurso Letras da Primavera, incentivando a criação poética como busca e expressão do melhor em cada ser humano.

 

No momento em que a natureza floresce, publicamos os 10 poemas vencedores, um convite a viver imagens poéticas e a sonhar com o Bem, o Belo e o Justo.

 

Conheça nosso trabalho acessando o site www.acropole.org.br

 

 

Primeiro Lugar: Avante!, de Caroline Pilz, Filial Cuiabá

 

Meu caro Sancho Pança..

 

Se ao mundo pudesse contar,

Das belas batalhas que vejo por dentro,

Quando me permito lapidar,

e lançar-me ávido aos moinhos de vento.

 

Se ao mundo pudesse contar,

Das ideias que forjam sentimentos,

Das convicções nascidas do sonhar,

Quando o impossível é apenas questão de tempo.

 

Poderia contar sobre uma estrela inalcançável,

que guiou homens,

às mais ardentes batalhas,

transformando camponeses em nobres,

pelo bravio empunhar da espada.

 

Contaria do ser das coisas,

E do mistério oculto em cada detalhe,

das singelas sutilezas da vida,

da profundidade presente nos olhares.

 

Falaria de bravura, justiça, honradez,

Daqueles que o mundo não desfez,

Do que há de eterno e imortal,

Da grandeza de unir-se a um ideal.

 

Ah, se o homem em seu despertar de consciência,

Pudesse religar-se a cada ser em essência.

Vibrariam todos em uma única canção,

Saberiam o sentido sublime da devoção.

 

Mas, sei que gigantes ainda nos assombram,

e que a luta há de ser eterna,

mas para quem vive uma saga heroica,

não há conquista sem a necessária guerra.

 

Pois que peço coragem nobre escudeiro,

Em prosseguir firme neste Sendero,

E perceber quão grande um homem pode ser,

Quando se lança à alma por inteiro.

 

Sei que é cedo, caro amigo,

E tarda o despertar humano…

De escuridão fizemos o mundo,

e cabe a nós purificar o engano.

 

Enquanto houver uma chama acessa,

Indicando o caminho a trilhar,

Mesmo que estreita seja a senda,

Esperança não há de faltar…

 

E sei, dentro de mim, tão claro como o próprio dia,

Que o sol da vida, fonte que tudo anima,

vai tocar aos homens-coração,

e do deserto nascerão novas flores, perfumes, primaveras,

anunciando uma nova era, feita de amor e devoção.

Avante!

 

 

Segundo Lugar: Amor, o Princípio da vida, de Caio Victor, Filial Sobradinho

 

Há coisas que podemos dar sem perder

e coisas que perdemos por não dar

A felicidade, o amor, não foram feitos para se reter,

pois só se completam no ato de compartilhar.

 

Jamais sentiu quem os declarou ser uma invenção,

e mentiu quem disse serem um engano:

é dividindo o que tem de bom no coração

que o homem multiplica e sente o que é ser humano.

 

Basta em ti lançares um pouco de luz interior,

e com os olhos que tens, poderás reparar

que a vida é toda vestida de amor,

e o tempo, de oportunidades de amar.

 

Se cantarolando um jardineiro planta uma flor

E em silêncio Deus a faz crescer

Assim espero que vosso jovem amor

Como impávida rosa, venha florescer.

 

Tal como um poema decanta a cada dia

na alma d’um pobre escritor

Semeia tua nobre semente com calma e alegria

pois logo haverá de aflorar em esplendor.

 

Por isso, caros amigos

o plantio primeiro, os frutos depois

Se de um, Deus fez dois

Sua intenção não foi dividir.

Algo nos conta, pois,

que assim fez para os unir.

 

E se um dia o outono vier,

e o frio da noite te fizeres esquecer

Do fogo que hoje aceso

arde luminoso no fundo do teu ser

Lembra-te que não importa onde estiver

essa verdade ainda poderá ser lida:

 

É da união que nasce o amor,

e do amor que nasce a vida.

 

 

Terceiro Lugar: Presente Celeste, de Jennyfer Arantes Silveira, Rio Verde

Caminhando nos labirintos da vida

Ao olhar para o céu avistei uma estrela

De um azul tão profundo,

tão brilhante, tão bela.

Senti naquele momento

que não estava sozinha,

que a vida não era vazia,

que eu devia caminhar até ela…

 

Ó céus, o que me destes?

Incendiou as chamas do meu coração

Trouxe-me o maior dos presentes:

Um sentido, Mestres, um Ideal.

Agora, já não olho mais para baixo

Seguro nas mãos do medo

e com tuas armas mágicas,

enfrento as batalhas.

 

Tens me mostrado

os vícios da personalidade

são tantos, tantos…

Mas quão nobre são os poderes

da Beleza, da Justiça, e da Bondade.

 

Em alguns momentos me senti GRANDE!

Mas mostraste minha pequenez

Lá estava a verdade!

Veio então a dor, a sagrada dor do guerreiro

e antes que eu pudesse desanimar

Trouxe-me sonhos tão profundos

alimentando minha alma

para que eu jamais deixasse de lutar.

 

Tens me mostrado a magia da vida

Que por trás de cada ser

Existe uma essência tão linda

Que vai além

do que nossos olhos podem ver.

 

São tantos os mistérios…

Mas tens me dado respostas

Sinto-me cada vez mais forte

Capaz de construir está ponte

que ligará os homens aos céus.

 

Já não sou mais a mesma,

já não pertenço somente a mim,

pois, selei o compromisso com a estrela!

Agora, está claro, consigo compreender

Discípula é o que me cabe Ser.

 

Nesta incansável busca pela verdade

Comprometo-me a construir, dar continuidade

Porque não há nada maior

do que trabalhar, doar e servir a humanidade!

 

 

As 7 poesias a seguir estão em ordem alfabética dos títulos:

 

A Natureza, de Marcia Regina, Filial Asa Sul

 

Sou feliz quando aprecio a natureza como se ela fosse um mito;

Quando em estado de contemplação a ela me integro plenamente;

Quando percebo a leveza das plumas que flutuam no ar.

Plumas que o vento frio do inverno carrega livremente, em direção ao infinito.

 

Sou feliz quando sinto o encantamento das estrelas diante do céu;

Quando vejo a chuva trazendo consigo a alegria de uma farta colheita;

Quando ouço o canto dos pássaros anunciando uma nova estação.

Pássaros que transportam os pólens, cumprindo, assim, o seu papel.

 

Sou feliz quando observo a dança das folhas das árvores na sintonia da canção.

Folhas que não se desbotam com o sol escaldante do verão, mas que se curvam diante do outono, reverenciando a terra;

Folhas que, como um manto sagrado, protegem aquela que lhes gerou.

 

Sou feliz quando contemplo, na primavera, as flores do jardim da vida.

Flores que alegram o meu coração e que elevam a minha alma, demonstrando a presença de Deus em mim nessa lida.

 

Sou feliz quando concebo a natureza como meu ninho original.

 

 

Asas, de Fátima Alencar, Filial Natal

 

Foram tantos os sonhos que sempre ruiam…

Foram tantos momentos de longa e cruel agonia.

Agora, só restam feridas, profundas cicatrizes.

 

Sobrevivi.

 

Onde os sonhos? Onde o riso? Onde o aceno final?

Aahh… Tudo ilusão! Apenas vazio no silêncio real.

A luz incomoda, não há mais amarras, só cicatrizes eu sou.

Não!

Eu sou mais que cicatrizes!

Estou em metamorfose, em apertado ar rarefeito, em tempo mago sem fim

Em neoforma me encanto, em sacro espaço me vejo

Há algo novo que vibra, há algo velho que acorda

Há algo antigo que lembra, há algo belo, mutante,

Nascendo dentro de mim!

 

Na frente, o céu, o infinito, o macro e o micro em espaço / tempo sem fim;

No perdão, toda a beleza do amor em resgate de mim!

 

No corpo cansado, feridas; na alma desperta, a espada de fogo é erguida.

A hora é chegada, qual fênix de ouro das cinzas renasço!

 

A luz dói, a visão é turva, é preciso subir

No difícil emergir, amor e perdão vem curando feridas, libertando o porvir.

De repente, sinto algo novo, vejo algo belo, algo que lembra um querubim:

Eu estou vendo asas nascendo em mim!!!

Elas se movem, em graça e beleza, e me elevam suave no ar!

Na força do perdão, desafio a gravidade, busco o mistério, a ascendente espiral.

Asas eu tenho, agora posso voar!

 

Agora sou céu, sou luz, sou infinito, desejada liberdade!

Sou inteira, sou frações, sou amor a harmonizar,

Sou leve, sou linda, sou livre

Sou firme mão estendida para muitas levantar…!

 

Venham comigo voar!

 

 

Beleza, de James Moraes, Filial Taguatinga

 

Tudo o que exprime a ideia

Se mostra ao Mundo com Beleza.

Vem do alto e aqui se transforma

O intangível vem em sua forma

Expressa pela consciência da Natureza

Sem exageros ou escassez.

 

Busque-a em tudo que fizerdes

Encontre-a no que se passa à Tua frente

Na singeleza de um sorriso

Numa música que te eleva ao Paraíso,

Pois a Beleza é o arquétipo presente

Como uma ponte que nos liga ao Sagrado.

 

Há flores que revestem o jardim

Que podem ser cultivadas em noss’Alma

Em forma de gestos e boa-vontade

Dedicados à Humanidade

Como numa grande roda de Valsa

De Almas que bailam na eternidade.

 

 

Caminhante, de Alinalde Lima, Filial Lago Norte

 

Ó aprendiz do caminho,

A dinâmica da vida é ação,

Sacudir o terreno sombrio,

Que sufoca o fulgor do coração.

 

Até que percebas o seu clamor,

Quantos enganos e desenganos,

Quanta heresia, resistência, dor…

Fábricas de ilusões, desatinos e danos.

 

Como o jardim descuidado,

Se não regas, revolves e renovas a terra,

Se não podas os excessos de dados,

Que polui o espaço de frívolas ervas,

Como poderá florir a beleza e a harmonia?

 

Assim, é o jardim secreto da Alma,

Que sob os escombros da ignorância,

Deseja romper os condutos do entusiasmo,

Da alegria, da bem-aventurança,

E, sem reserva, dançar a sua dança.

 

Acorda! Caminhante,

Ouve com toda a atenção:

Torna-te íntimo de teu coração,

Lá está a força sagrada da vida,

Que precisa fluir e, sem descanso,

Glorificar tuas idas e vindas.

 

A soma de pequenas ações,

E vontade aliada à veracidade,

Pai-Mãe da convicção:

Desperta os raios da bondade,

Cume da verdadeira liberdade.

 

Caminhante:

Eis a terna atmosfera

Da eterna primavera!

 

 

Identidade, de Maria Clara Duarte, Filial Águas Claras

 

Se o que há em mim

de mais precioso,

divino, eterno,

 

É esta consciência, com a qual só O vislumbro,

 

Se este corpo, que me carrega,

e as emoções que se agitam em frio inverno…

 

Se tudo o que tenho é emprestado,

tomado de algum lugar da vida,

 

Quem sou eu? Quando a Vida é encerrada,

o que sobra?

Como devolver?

 

Se não há parte que me reste,

grão que me pertença,

entrega que se baste?

 

Como ser generosa se não tenho

nem tive nada que é só meu?

 

Nem esta forma, que não reuni,

nem os pensamentos , tecidos e enlaçados

pela matéria enganosa do ar…

Nada disso é meu!

Não tenho em que me apoiar.

 

E o mundo se estende como pradaria,

repleta de vida partilhada.

 

Não bem partilha, pois partilha quem o tem,

e quem dirá que as ondas possuem o mar?

 

Pensar quem sou é penetrar num oceano sem praias.

E o coração, angustiado, se contrai,

como um punho vazio,

ou como quem se dobra em confusão e frio.

 

Por que apavora  perder o que nunca tive?

Por que o perderia agora?

 

Ainda assim, sinto esperança,

ao entrever o fio que enlaça o Universo:

 

A missão de ofertar sem desejo que o necessitem,

nem medo da carência ou ânsia pelo excesso.

 

Em poder optar por dar-me,

reside meu eu humano.

 

E, no fundo, secretamente sei,

que, quando abrir mão de ter um eu,

possuirei em mim todas as coisas.

 

E serei, não compartilhado,

mas Indivíduo completo, enfim.

Pequeno, imenso, soberano.

Uno.

 

 

Mundo Dual, de Nirvana Ribeiro, Filial Porto Velho

 

Num mundo dual

Como saber o que é ideal?

Qual lado escolher

Quando não se tem o saber!

 

De que adianta riquezas e poder

Se a alma está vazia…

Querer respostas e não compreender

Está tudo diante de você

 

Então vem ela: A filosofia

Como um feixe de luz

Rasgando a escuridão

Revelando ao homem coisas do seu coração

 

Sobre Karma e Dharma

Kuravas e Pandavas

O homem luta consigo

Descobre que é seu pior inimigo

 

Quanto mais conhecimento

Maior sua evolução

Menos importância ao quaternário

Mais tríade em ação.

 

 

 

O Homem e o Pião, de Jovina Gomes Benigno, Filial Fortaleza Sul

 

Para ser um homem humano

Há de cuidar de sua alma ser virtude e união

Fazendo da educação seu guia e seu quinhão

Educando dia- a- dia sua mente e coração.

Falando em educação sempre há mais novidades:

Que se ensina e se aprende,

que não se acha é busca daquela chama pequena

que corre viva e serena,

tirando da escuridão a alma desencontrada.

 

Antes, só na mocidade a novidade floria,

Hoje aflora em estações diversas de nossa vida

No verão e no inverno, no outono ou primavera.

O saber é a quimera que aos poucos se realiza.

Pois sabido é que ser jovem, ter vivido não altera,

Tanto faz que sejam anos ou quem sabe gerações.

 

Pois ser jovem é se aceitar,ser feliz como se é

e seguirmos em nosso Darma, sem desvio e com fé,

não sofrer o que passou nem chorar o que chegou.

E sempre ser criador, mesmo sendo criatura.

 

Aprendi a ser feliz por minha necessidade

Aprendi que ter amor, requer trabalho e amizade.

Uma certa devoção, requer ouvir a cabeça

E também o coração.

Requer amor a si mesmo, ao outro e à Natureza.

 

Pois tenham sempre a ciência

Que é tudo um só Ser, é única a existência.

Mas antes que a gente esqueça de que o mundo é um pião

Que desde o primeiro dia foi jogado em nossa mão

Lembremos de um detalhe quase que despercebido

Que Jesus com um gemido, como numa extrema-unção,

Reafirmou que sua vida não era sua,

Era D’Ele numa grande aceitação

de que a vontade de Deus é a que tem no pião.

 

Não estranhe a estranha ordem

Que dei aqui a meus versos,

falando de darma e Deus rodando um certo pião.

Não me faça objeção antes que eu possa explicar

Pois muita leitura há nas lições que tem o mundo

Só não vê quem não quiser quem não souber enxergar.

 

De tudo na vida há prá melhorar nosso dom

que é o de educar nossa alma incabada.

Mas é urgente cuidar

Pois ás vezes a idade pode acabar sem tardar.

Melhor é achar nosso centro sem que o cimento endureça,

Prá não se quebrar a vida sem que o espírito entristeça.

Falar nos faz muito bem ouvir nos faz muito mais,

desde que se fale o certo

Aquilo que vem soprando

De nossa Alma mais perto.

 

Homenagem ao Dia dos Pais

 

Em homenagem ao Dia dos Pais, o Acrópole Poética traz estes belos versos de Rudyard Kipling – ensinamentos cheios de valor de um pai para seu filho – acompanhados por belíssimas obras de Daniel Gerhartz:

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Se

Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires,
de sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e – o que ainda é muito mais – és um Homem, meu filho!

 

Rudyard Kipling

 

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Ser ou Não Ser?

 

 

Ser ou não ser, eis a questão.
O que é mais nobre? Sofrer na alma
As flechas da fortuna ultrajante
Ou pegar em armas contra um mar de dores
Pondo-lhes um fim? Morrer, dormir
Nada mais; e por via do sono pôr ponto final
Aos males do coração e aos mil acidentes naturais
De que a carne é herdeira, num desenlace
Devotadamente desejado. Morrer! Dormir; dormir
Dormir, sonhar talvez: mas aqui está o ponto de interrogação;
Porque no sono da morte, que sonhos podem assaltar-nos
Uma vez fora da confusão da vida?
É isso que nos obriga a reflectir: é esse respeito
Que nos faz suportar por tanto tempo uma vida de agruras.
Pois quem suportaria as chicotadas e o escárnio do tempo
As injustiças do opressor, as afrontas dos orgulhosos,
A tortura do amor desprezado, as demoras da lei,
A insolência do oficial e os pontapés
Que o paciente mérito recebe do incompetente
Quando o próprio poderia gozar da quietude
Dada pela ponta de um punhal? Quem tais fardos suportaria
Preferindo gemer e suar sob o peso de uma vida fatigante
A não pelo medo de algo depois da morte
Esse país desconhecido de cujos campos
Nenhum viajante retornou, e que nos baralha a vontade
E nos faz suportar os males que temos
Em vez de voar para o que não conhecemos?
Assim a consciência nos faz a todos cobardes
E assim as cores nascentes da resolução
Empalidecem perante o frouxo clarão do pensamento
E os planos de grande alcance e actualidade
Por via desta perspectiva mudam de sentido
E saem do reino da acção.

William Shakespeare, “Hamlet”

A Apolo

apolo

 

A Apolo

Pressinto em mim o emergir de Delos,
sagrada ilha flutuante
a quem nenhuma corrente
logrou reter, em seus elos…

Poseidon, do Oceano Profundo,
Soberano das águas do mundo,
permitiu que ela em mim aflorasse,
concedeu-a como fosse um dom.

Minha Alma, Delos, veio à tona…
Coração por trás do coração,
vibração que ao terrestre impulsiona,
e que o Deus, em mim, leva à ação.

As dores de Leto, à palmeira enlaçada,
são sinais da Luz que aspira a nascer…
Em Delos, o Deus anuncia a chegada,
das dores mais árduas, o parto do Ser…

Mas eis que Hera sempre exige a espera:
pois o protocolo da Deusa,
severa mãe de todo Herói,
mil provas enumera antes do fim…
Pequenas provas ante o herói do mito,
mas quase um infinito para mim…

Enquanto o nascimento não se opera,
sonho com a luz do Hiperbóreo, que virá,
sonho com o Templo que Ele erguerá,
tornando Delos terra nobre e sagrada,
ponto central de todas energias,
ponto final de todas caminhadas.

A Serpente que me ronda, incansável,
Grandiosa Píton, será submetida…
Ante a Luz, de fugaz, será estável,
E os seus vapores serão
para sempre, desde então,
fonte de inspiração em minha vida.

E quando o Deus se afastar,
navegando nos céus, a migrar
às distantes terras frias,
ao Seu lado, de um outro calor vou provar.
E quando Ele voltar, em seu Cisne Solar,
cálida, a Alma emprestará calor ao Dia…

E dançarei com as Musas no Helicon,
e a voz do Deus desdobrar-se-à em sons,
numa espiral de harmonia, rumo as céus,
E, em Castália, baixarei meus véus
e aplacarei a sede da minha alma
ouvindo as vibrações da Voz do Deus.

Tudo isso serei eu, quando, cumpridos
todos os justos desígnios de Hera,
tiver findado a dolorosa espera…
Vencido o algoz, as trevas da ilusão,
concluído o rito em Delos-coração,
virá à luz, em mim, o amado Deus…

E, como proclamado desde as eras,
o tempo explodirá em primaveras…

Profª: Lucia Helena Galvão

Foto: Leandro Moraes

Poesia Sufi – Rumi

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Vem,
Te direi em segredo
Aonde leva esta dança.

Vê como as partículas do ar
E os grãos de areia do deserto
Giram desnorteados.

Cada átomo
Feliz ou miserável,
Gira apaixonado
Em torno do sol.

Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que todos somos um,
falemos desse outro modo.

Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma
Fechemos pois a boca e conversemos através da alma
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.

Vem, se te interessas, posso mostrar-te.

Desde que chegaste ao mundo do ser,
uma escada foi posta diante de ti, para que escapasses.
Primeiro, foste mineral;
depois, te tornaste planta,
e mais tarde, animal.
Como pode isto ser segredo para ti?

Finalmente, foste feito homem,
com conhecimento, razão e fé.
Contempla teu corpo – um punhado de pó –
vê quão perfeito se tornou!

Quando tiveres cumprido tua jornada,
decerto hás de regressar como anjo;
depois disso, terás terminado de vez com a terra,
e tua estação há de ser o céu.

Não durmas,
senta com teus pares

A escuridão oculta a água da vida.
Não te apresses, vasculha o escuro.
Os viajantes noturnos estão plenos de luz;
não te afastes pois da companhia de teus pares.

Faltam-te pés para viajar?
Viaja dentro de ti mesmo,
e reflete, como a mina de rubis,
os raios de sol para fora de ti.

A viagem conduzirá a teu ser,
transmutará teu pó em ouro puro.

Sofreste em excesso
por tua ignorância,
carregaste teus trapos
para um lado e para outro,
agora fica aqui.

Eros e Psique

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Eros e Psique

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
Do além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino –
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão , e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa

“Alegra-te”

kid-smile

 

 

Alegra-te

 

Se tu és pequeno, alegra-te,

para que tua pequenez sirva de contraste

a outros no universo, porque essa pequenez

constitui a razão essencial da tua grandeza,

porque para ser grande,

há necessidade que tu sejas pequeno,

como a montanha para crescer,

necessita subir entre as colinas, lombas e os morros.

Se és grande, alegra-te,

porque o invisível se manifestou em ti

de maneira mais excelente,

porque és um êxito do artista eterno.

Se és saudável, alegra-te,

Porque em ti as forças da natureza

Tem chegado à ponderação e à harmonia.

Se é enfermo, alegra-te,

porque lutam em teu organismo

forças contrárias que acaso buscam

uma resultante de beleza,

porque em ti se ensaia esse divino alquimista

que se chama dor.

Se és rico, alegra-te,

Por toda a força que o destino

Tem posto em tuas mãos

Para que a derrames…

Se pé pobre, alegra-te,

porque tuas asas serão mais ligeiras

porque a vida te sujeitará menos,

porque o Pai realizará em ti

mais diretamente que no rico

o amável prodígio do pão cotidiano.

Alegra-te, se amas;

por que serás mais semelhante a Deus que os outros.

Alegra-te, se és amado;

porque há nisso

uma predestinação maravilhosa.

Alegra-te se és pequeno;
alegra-te se és grande;
alegra-te se tens saúde;
alegra-te se a perdeste;
alegra-te se és rico;
se és pobre alegra-te;
alegra-te se te amam;
se amas alegra-te.
Alegra-te sempre, sempre, sempre.

 
(Amado Nervo)

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